Judi Dench revela que problema de visão a impede de atuar

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Divulgação: Instagram


Oftalmologista explica como a condição compromete a leitura, o reconhecimento de rostos e outras atividades que exigem visão central


A atriz britânica Judi Dench, de 91 anos, afirmou que o agravamento de um problema de visão a impede de continuar atuando. Em entrevista ao programa Today, da BBC, conduzida por Emma Barnett, a artista falou sobre as dificuldades provocadas pela degeneração macular relacionada à idade (DMRI), condição que compromete a visão central.


Segundo o oftalmologista Antônio Sardinha, do Hospital de Olhos de Cuiabá (HOC), a doença afeta a mácula, região central da retina responsável pela visão de detalhes.


“A degeneração macular relacionada à idade (DMRI) é uma doença degenerativa da mácula, a região central da retina responsável pela visão de detalhes. Ela compromete a visão central, usada para ler, reconhecer rostos e enxergar detalhes finos, mas preserva a visão periférica. Existem duas formas. A seca, ou atrófica, é a mais comum e evolui lentamente. A úmida, ou neovascular, é mais agressiva: nela surgem vasos anormais sob a retina que vazam líquido e sangue, e ela responde pela maior parte das perdas visuais graves”, explica Sardinha.


Entre os sintomas estão visão central embaçada, linhas retas que parecem tortas ou onduladas, dificuldade para ler e reconhecer rostos, necessidade de mais luz para enxergar e percepção de cores menos vivas.


“O paciente costuma notar a visão central embaçada e linhas retas que parecem tortas ou onduladas. Com a progressão, pode aparecer uma mancha escura no centro da visão. Também são comuns a dificuldade para ler e reconhecer rostos, a necessidade de mais luz para enxergar e a percepção de cores menos vivas”, afirma o médico.


Impacto na carreira


A perda da visão central pode comprometer diretamente a rotina profissional de atores, que precisam ler roteiros, memorizar falas e perceber expressões faciais durante as cenas.


“De forma muito significativa. Ler um roteiro impresso pode se tornar impossível, e decorar as falas passa a depender de gravações em áudio ou da ajuda de outras pessoas. Também fica prejudicada a percepção das expressões faciais dos colegas de cena, que é parte essencial da troca entre atores. Encontrar marcações no palco e lidar com a iluminação intensa de sets e teatros fica mais difícil. A visão periférica preservada ajuda na locomoção, mas não substitui a visão de detalhes que o ofício exige”, afirma Sardinha.


A evolução depende da forma da doença. Na forma seca, a progressão costuma levar anos. Já na forma úmida, a perda visual pode acontecer em semanas.


“Na forma seca, a evolução costuma levar anos. Ela começa com pequenos depósitos sob a retina, as drusas, que em geral não dão sintomas, e pode avançar para a atrofia da mácula. A forma seca também pode se converter em úmida, e aí a perda visual pode acontecer em semanas. O principal sinal de alerta é perceber distorção em linhas retas, como batentes de porta ou azulejos, ou uma dificuldade nova para ler. Diante disso, o ideal é procurar um oftalmologista em poucos dias”, ressalta o oftalmologista.


Tratamento e diagnóstico precoce


O tratamento varia de acordo com a forma e o estágio da doença. Na forma úmida, são utilizadas injeções intraoculares de medicamentos antiangiogênicos. Em determinados estágios da forma seca, a suplementação vitamínica específica ou medicamentos injetáveis podem ajudar a retardar a progressão. A reabilitação visual também contribui para o aproveitamento da visão restante.


“Depende da forma da doença. Na forma úmida, o tratamento padrão são injeções intraoculares de medicamentos antiangiogênicos, que bloqueiam o crescimento dos vasos anormais e são aplicadas periodicamente, muitas vezes por anos. Na forma seca em estágio intermediário, uma suplementação vitamínica específica reduz o risco de progressão para as formas avançadas. Para a forma seca avançada surgiram recentemente medicamentos injetáveis que retardam o avanço da atrofia, ainda com disponibilidade limitada. Em todos os casos, a reabilitação visual ajuda o paciente a aproveitar melhor a visão que resta”, explica Sardinha.


Embora o tratamento possa ajudar a preservar a visão, a recuperação depende das alterações provocadas na retina.


“O objetivo principal é estabilizar a doença. Na forma úmida tratada precocemente, parte dos pacientes recupera alguma visão, porque o líquido acumulado na retina é absorvido. Já as áreas da mácula que cicatrizaram ou atrofiaram não se recuperam. Por isso o tempo entre os primeiros sintomas e o início do tratamento faz tanta diferença”, afirma o médico.


A idade é o principal fator de risco, especialmente após os 60 anos. Tabagismo, histórico familiar, predisposição genética, hipertensão, obesidade, doenças cardiovasculares e alimentação pobre em vegetais e peixes também estão associados à condição.


“A idade é o principal fator. O risco cresce a partir dos 50 anos e aumenta bastante depois dos 60. O tabagismo é o principal fator que pode ser modificado e multiplica o risco de desenvolver a doença. Também pesam o histórico familiar, a predisposição genética, a pele e os olhos claros, a hipertensão, a obesidade, as doenças cardiovasculares e uma alimentação pobre em vegetais e peixes”, explica Sardinha.


O diagnóstico precoce é fundamental para preservar a visão, principalmente nos casos da forma úmida. Consultas oftalmológicas regulares ajudam a identificar alterações e iniciar o tratamento no momento adequado.


“O diagnóstico precoce é decisivo, principalmente na forma úmida, porque quanto antes o tratamento começa, mais visão se preserva. A recomendação é fazer um exame oftalmológico completo a partir dos 40 anos e consultas anuais depois dos 50 ou 60 anos. Quem tem histórico familiar ou já tem o diagnóstico deve seguir o intervalo indicado pelo seu médico. Em casa, o teste com a tela de Amsler, uma grade quadriculada, ajuda a perceber distorções logo no início”, orienta o oftalmologista.

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