Em entrevista a Paulo Melo, empresário e produtor rural aborda agricultura orgânica, sucessão familiar, turismo, ambiente de negócios, saúde pública e apresenta as razões que o levaram a retornar à disputa eleitoral no Distrito Federal
O empresário, produtor rural e engenheiro florestal Joe Valle foi o convidado do podcast Empreender Brasília, apresentado por Paulo Melo. Em uma conversa de pouco mais de uma hora, Valle percorreu diferentes momentos de sua trajetória pessoal, empresarial e política, desde a infância e a criação da Fazenda Malunga até sua experiência na Câmara Legislativa do Distrito Federal e a decisão de voltar à disputa por um mandato.
No programa, Joe Valle foi apresentado como um dos nomes ligados à história da Fazenda Malunga, referência na produção orgânica no Distrito Federal, além de ex-deputado distrital, ex-secretário de Estado e ex-presidente da Câmara Legislativa. O apresentador também destacou sua decisão de voltar à disputa política como candidato a deputado distrital.
Ao iniciar a entrevista, Valle agradeceu o convite e demonstrou satisfação em discutir sua trajetória e seus projetos para Brasília. “Muito grato, Paulo Melo. Muito feliz de estar aqui com você e poder trocar essa experiência e falar um pouco do nosso trabalho aqui nessa capital maravilhosa.”
Do sertão nordestino a Brasília
Joe Valle contou que nasceu em Caicó, no Rio Grande do Norte, e chegou a Brasília ainda jovem, na década de 1970, acompanhado dos pais. Segundo ele, o desejo de trabalhar no campo surgiu ainda durante a infância. “Eu vim para cá na década de 70 ainda com meus pais. Vim do Nordeste, eu sou de uma cidade do interior do sertão nordestino chamada Caicó. A gente veio para cá muito jovem, mas eu sempre tive uma coisa na minha vida que me jogava para frente: eu queria ser produtor de comida e eu queria morar na roça.”
Valle relembrou que, quando criança, chegou a sair de casa tentando chegar ao sítio do avô. “Minha mãe fala que eu vinha gritando: ‘Eu vou ser produtor ainda e eu vou morar na roça’. E ela acertou isso, porque, na primeira oportunidade, eu fui fazer isso.”
Foi dessa relação com o campo que nasceu o projeto empresarial que mais tarde se transformaria na Malunga. “Eu tenho um instinto empreendedor gigantesco que vem de família e a gente foi e construiu a Malunga, uma experiência de produção de comida.”
Intoxicação mudou a forma de produzir
A produção, segundo Valle, começou no modelo convencional. Uma experiência pessoal, porém, provocou uma mudança de direção. “Primeiro convencional, depois tive um problema, intoxiquei, tive que mudar.”
Na época, Valle estudava na Universidade de Brasília e passou a se aproximar de professores e pesquisadores interessados em formas alternativas de agricultura. “Eu sou ex-aluno da UnB. Logo descobri professores e alunos interessados e nós começamos a construir uma solução de formas alternativas de produzir comida. Naquela época todo mundo falava que não dava para fazer e eu gosto muito de desafio. Eu falei: ‘Dá para fazer e vai ser bom’.”
Ele afirmou que a experiência com produção orgânica começou há quase quatro décadas. “Quando nós começamos a fazer orgânico em Brasília, era desacreditado. A gente falava: ‘É possível’. Hoje a gente vê que realmente se tornou uma referência.”
Ao falar da Fazenda Malunga, Valle associou a atividade à combinação entre produtividade e preservação ambiental. “A gente escalou uma agricultura sustentável, uma agricultura que produz e preserva.”
E acrescentou: “Eu sou um apaixonado por produção de comida de forma sustentável, mas sou também uma pessoa que nasceu para servir. Minha família gosta de servir, então eu sou um servidor das pessoas.”
A história relatada no podcast registra que a produção orgânica começou a ganhar forma a partir da experiência universitária e da busca por métodos alternativos de cultivo.
Malunga também virou espaço de conhecimento e turismo
Outro ponto abordado foi a abertura da propriedade para produtores, pesquisadores, consumidores e visitantes.
Valle contou que recebeu de um de seus primeiros mestres a orientação de compartilhar aquilo que aprendesse. “Ele me falou: ‘Tudo que você aprendeu comigo ou que vai aprender, você vai ensinar para as pessoas’.”
Segundo o empresário, essa ideia passou a fazer parte da própria identidade da Malunga. “Desde o primeiro momento, a gente recebe produtores, pesquisadores e clientes na Fazenda Malunga.”
Com o passar do tempo, uma nova geração ligada à propriedade começou a desenvolver atividades relacionadas ao turismo rural. “Muitos deles me procuraram para falar: ‘A gente não se formou na área agrícola, mas não quer sair daqui. A gente quer ficar, mas quer ter renda’. E uma forma que eles acharam foi criar esse modelo de agroturismo.”
Ele também citou o apoio do Sebrae na estruturação da atividade. “Eu falo que sou um filhote do Sebrae. O Sebrae é uma instituição que eu gosto, tenho muita afinidade, me ajudou e nós montamos o projeto da Malunga Turismo.”
Turismo como alternativa econômica para Brasília
A partir da experiência da Malunga, a conversa avançou para o potencial turístico do Distrito Federal.
Valle defendeu que Brasília explore de maneira mais estruturada atrações rurais, gastronômicas, culturais, cívicas e de negócios. “O turismo em Brasília é uma grande atividade. A gente precisa fomentar.”
Ele recordou projetos desenvolvidos enquanto exercia mandato parlamentar, entre eles a criação de roteiros na região central da capital. “Você veja que, com pouca coisa, quase nenhum investimento, se monta um processo muito legal.”
Valle também falou sobre uma antiga proposta de implantação de um Mercado Central de Brasília, concebido como espaço gastronômico e turístico. “Brasília precisa ter esse espaço. Nós precisamos fazer isso rodar e gerar empregos aqui dentro de uma forma limpa. E a forma limpa é turismo.”
Segundo ele, uma estrutura desse tipo poderia reunir gastronomia, agricultura familiar e produtos associados à diversidade cultural da capital. “Vai ser centro gastronômico, vai ter um centro internacional de insumos para comidas internacionais, porque as embaixadas estão aqui, vai ter uma área ligada à agricultura familiar.”
O empresário chegou a definir uma ambição maior para a economia criativa da cidade. “Brasília tem a condição de ser a Broadway brasileira.”
Na avaliação apresentada por Valle durante o podcast, a ocupação dos hotéis da capital durante a semana poderia ser complementada por políticas destinadas a atrair visitantes aos finais de semana.
Ele mencionou ainda eventos, gastronomia, produção de queijos, vinhos e turismo rural. “Temos muitas coisas aqui em Brasília. Então precisa divulgar tudo isso.”
O desafio não era apenas produzir orgânicos, mas encontrar quem comprasse
Ao tratar dos primeiros anos da agricultura orgânica, Valle afirmou que desenvolver o mercado consumidor foi mais difícil do que dominar a produção. “Não tenha dúvida que criar o mercado disposto a comprar.”
Ele contou que, durante sua passagem pela área de extensão rural, defendia que a comercialização deveria caminhar junto com a assistência aos produtores. “Eu lembro de falar: ‘Gente, vamos arrumar venda. Se tiver venda, o produtor se vira para produzir’.”
Valle também recordou uma experiência de venda dentro da Universidade de Brasília. “A gente tinha uma banca que funcionava às terças-feiras dentro da universidade e vendia tudo na UnB. Ali eu comecei a ver dinheiro na feira mesmo.”
A experiência contribuiu para que enxergasse a atividade como empreendimento. “Eu falei: ‘Nossa, isso aqui é legal, isso aqui dá negócio’.”
Quebrar também fez parte da formação empresarial
A entrevista abordou ainda os erros cometidos durante a construção da Malunga.
Valle contou que chegou a produzir e vender muito sem conseguir transformar o movimento financeiro em resultado para a empresa. “Eu passava muito dinheiro na minha mão e não ficava nada.”
Foi nesse período, segundo ele, que passou a se dedicar com maior intensidade ao estudo da administração. “Eu me voltei para a gestão. Voltei para o banco da escola, voltei para curso, voltei para formação e me apaixonei por esse modelo de gestão.”
Para Valle, a experiência modificou a maneira como tomava decisões. “Eu passei a medir tudo que eu fazia para poder ter indicadores, para poder ter os números para tomar decisão.”
Um dos momentos simbólicos do crescimento da Malunga ocorreu, segundo o empresário, durante uma reportagem do programa Globo Rural. “Quando eu vi aquele mosaico de cima, eu fiquei impressionado. Eu falei: ‘Meu Deus, realmente é uma empresa e nós estamos no rumo certo’.”
Aprender a descentralizar
Questionado sobre uma das principais dificuldades enfrentadas pelo fundador quando a empresa cresce, Valle respondeu: “Abrir mão e descentralizar a decisão.”
Para ele, o crescimento exigiu uma mudança na maneira de exercer a liderança. “A gente precisa liderar. E liderar tem a ver com cuidar de pessoas.”
Valle destacou a permanência de profissionais por muitos anos dentro de sua estrutura empresarial. “Eu tenho pessoas com 32 anos comigo. Minha equipe de gestão, que são 17 pessoas, todas têm mais de 15 anos comigo.”
Ele atribuiu a essa estrutura a possibilidade de se afastar novamente da operação cotidiana. “Isso está me liberando novamente para voltar para a política.”
Família teve peso na saída da política
Joe Valle também falou sobre a decisão de não continuar na vida eleitoral após ter ocupado a Presidência da Câmara Legislativa.
Segundo ele, questões familiares foram determinantes. “Primeiro foram as minhas filhas. Elas estavam sofrendo muito e fizeram um apelo.”
A necessidade de voltar a acompanhar os negócios também pesou. “A empresa também sofreu com a falta da liderança.”
Valle admitiu ainda ter vivido frustrações no ambiente político. “Não vou dizer para você que não tinha um pouquinho de decepção.”
Apesar disso, reforçou: “O motivo maior da minha saída foi realmente a família e a Fazenda Malunga.”
Sucessão familiar exige convivência com o negócio
Ao falar sobre empresas familiares, o empresário defendeu que sucessão não se limita à transmissão do patrimônio. “Eu acho que é a vida do dia a dia, a vivência no dia a dia.”
Ele contou que as filhas acompanharam diferentes etapas da operação da Malunga desde jovens. “Minhas filhas iam com a gente para o mercado arrumar as prateleiras, vivenciavam todos os dias das feiras.”
Segundo ele, essa convivência contribuiu para a relação da nova geração com a empresa. “Minhas filhas hoje amam a Malunga, adoram a marca, defendem a marca muito mais do que eu.”
Para Valle, os sucessores também precisam conhecer as dificuldades reais de administrar uma empresa. “Se você não deixar ele perceber a dureza, a rudeza de ser empresário no Brasil, ele vai se decepcionar e não vai se preparar.”
Setor produtivo entra no centro do debate político
A partir desse momento, o podcast passou a tratar diretamente do retorno de Joe Valle ao cenário eleitoral.
O empresário afirmou que pretende priorizar questões relacionadas às pequenas e médias empresas e ao ambiente de negócios do Distrito Federal. “Eu quero ser uma voz especialmente no Distrito Federal, na Câmara Legislativa, do setor produtivo.”
Valle fez críticas ao ambiente enfrentado pelos empresários e citou tributação, questões trabalhistas e segurança jurídica. “Eu estou falando do setor produtivo que paga seu imposto, que emprega, que vive as dificuldades de pagar um 13º, tem que ir num banco fazer um financiamento para pagar o 13º.”
E acrescentou: “Eu quero ser essa pessoa, quero ser essa referência, quero fazer esse trabalho de verdade, porque eu sinto todas as dores todos os dias desses setores.”
Essas avaliações correspondem às posições apresentadas por Valle durante a entrevista e não a conclusões independentes do podcast ou desta reportagem. “Quero transformar Brasília na melhor cidade para empreender”
Perguntado se Brasília é uma boa cidade para abrir e desenvolver empresas, Valle disse acreditar que há espaço para mudanças. “Ela pode melhorar muito. Eu quero transformar Brasília na melhor cidade para você empreender do Brasil.”
Na avaliação dele, um dos caminhos seria observar experiências regulatórias adotadas em cidades com ambientes empresariais considerados mais simples e adaptá-las à realidade do DF. “Nós temos que simplificar normas, fazer com que as pessoas tenham vontade de empreender.”
Valle utilizou uma metáfora para descrever as dificuldades que identifica. “Empreender no Brasil é uma corrida de 100 metros com barreiras.”
Ao ser questionado sobre os principais gargalos, destacou dois. “É uma combinação, mas eu vou dizer que hoje mão de obra e tributação.”
“Na Hora Empresarial”
Entre as propostas mencionadas no podcast está a criação de uma estrutura inspirada no modelo do Na Hora, voltada especificamente para empresários. “Eu quero criar o Na Hora Empresarial.”
A intenção, segundo Valle, seria reunir diferentes serviços públicos e privados necessários para a atividade empresarial. “A gente ter, inclusive, bancos, crédito, todo o processo, o fisco, tudo num lugar só para o empresário sair de lá resolvido.”
Valle também defendeu ampliar a educação para o empreendedorismo. “Educação é a base de tudo.”
Tecnologia e turismo para diversificar a economia
Questionado sobre como reduzir a dependência econômica de Brasília em relação ao funcionalismo público, Joe Valle afirmou que o serviço público continuará sendo uma parte essencial da economia local, mas defendeu a expansão da atividade privada. “O serviço público é importantíssimo. Tem que entender: isso é o chão da nossa fábrica. Mas a gente precisa desenvolver o setor produtivo, o setor privado.”
Entre os segmentos citados por ele estão tecnologia e turismo. “Tecnologia está no gênesis de Brasília, está na nossa genética, no nosso DNA.”
Na área turística, ele defendeu maior divulgação nacional da capital. “Nós precisamos colocar nos aeroportos, nós precisamos fazer propaganda de Brasília.”
Valle enumerou modalidades que, em sua avaliação, podem ser exploradas. “Brasília tem turismo cívico, turismo religioso, tem tudo aqui para a gente. O turismo gastronômico hoje já é de excelente qualidade.”
Também mencionou rotas relacionadas a produtos locais. “Temos a rota do queijo, a rota da cachaça, a rota das frutas vermelhas.”
Na entrevista, ele resumiu sua prioridade eleitoral na área econômica da seguinte forma: “Eu vou defender com unhas e dentes quem gera emprego, quem gera renda nessa cidade.”
Experiência empresarial e gestão pública
Ao comparar a iniciativa privada com a administração pública, Valle afirmou que um dos primeiros aspectos que chamaram sua atenção ao entrar no governo foi a dificuldade de planejamento de longo prazo. “A ineficiência, o tempo desperdiçado e o recurso desperdiçado.”
Ele associou parte desse problema às mudanças frequentes nas estruturas administrativas. “Nós, quando temos uma empresa, planejamos ela no curto, médio e longo prazo, porque sabemos para onde queremos ir.”
Valle usou a expressão “soluço mandatário” para se referir ao ciclo político de quatro anos e criticou a interrupção de políticas públicas a cada troca de comando. “Eu falo que esse modelo é rasgar nota de 200.”
Para o entrevistado, práticas de planejamento e gestão deveriam receber mais espaço na administração pública. “Gestão, gestão, gestão, gestão, gestão na veia.”
Reforma administrativa e profissionalização
Valle defendeu a valorização de carreiras técnicas e a separação mais clara entre funções de gestão e funções especializadas.
Segundo ele: “Eu preciso fazer o crescimento técnico com muita valorização do profissional para ele ser o melhor psicólogo ou assistente social na área dele. Eu tenho que ter gestores para tocar a área de gestão.”
Ele também relatou uma experiência adotada quando ocupou secretaria no Governo do Distrito Federal. “Eu fui à Escola de Governo e fiz a formação. Para o cara ser coordenador, tinha que ter o curso de coordenador. Para ser diretor, tinha que ter o curso de coordenador e depois de diretor.”
Para Valle, a qualificação prévia pode reduzir indicações de pessoas sem preparo para funções técnicas. “Na hora que eu começo a botar gente que não tem a menor capacidade em áreas técnicas, aí eu destruo o governo.”
Saúde ocupa parte significativa da entrevista
Um dos blocos mais extensos da conversa foi dedicado à saúde pública.
Joe Valle defendeu maior descentralização administrativa e integração dos sistemas de informação. “Não é possível você não ter um prontuário eletrônico integrado.”
Ele citou ainda a possibilidade de agentes comunitários utilizarem tecnologia para melhorar o atendimento. “Não é possível um agente comunitário de saúde não poder marcar uma consulta a partir da visita que ele faz.”
Para Valle, sistemas poderiam funcionar tanto conectados quanto offline, com sincronização posterior. “Hoje já era para ser o sistema todo carregado no celular e podendo fazer offline ou não, dependendo se tem internet.”
Valle afirmou também ter interesse pessoal em participar da gestão da saúde do DF. “Eu quero colocar toda a minha experiência de gestão política a favor da gente resolver esse grande problema de saúde do Distrito Federal.”
Questionado pelo apresentador se aceitaria assumir a Secretaria de Saúde em um eventual convite de um futuro governador, respondeu: “Total coragem. Agora tem um detalhe: se não tiver autonomia, é melhor não ser.”
E completou: “Se for com autonomia completa, total, eu tenho vontade.”
Valle afirmou acreditar que dispõe de experiência e pessoas próximas capazes de ajudá-lo em um projeto desse tipo. “Eu caio para dentro e vou fazer um trabalho exemplar, porque eu tenho experiência, eu tenho maturidade e tenho equipe, porque ninguém faz nada sozinho.”
As avaliações sobre o funcionamento da saúde pública, modelos de gestão e possíveis mudanças foram apresentadas pelo entrevistado como suas opiniões e propostas durante o podcast.
Por que voltar à política?
Paulo Melo perguntou diretamente a Joe Valle por que ele decidiu colocar novamente seu nome em uma eleição.
Valle respondeu: “Eu sou vocacionado para o processo.”
Em seguida, revelou uma ambição política de longo prazo. “Eu quero voltar porque eu quero governar essa cidade em algum momento, para todas essas ideias que eu tenho, toda essa experiência e toda essa equipe, todas essas pessoas que acreditam na melhor Brasília, na melhor cidade do Brasil, estarem juntos torcendo por ela.”
Segundo Valle, a situação familiar e empresarial hoje é diferente daquela existente quando deixou a política. “A minha vida pessoal está resolvida, minha sucessão está resolvida, agora eu quero trabalhar por essa cidade novamente.”
Perguntado sobre o que despertou a vontade de retornar, respondeu: “Não dá para você, que foi presidente da Câmara, foi secretário de Estado, ficar alheio a tudo que está acontecendo.”
Para ele, um mandato é um instrumento que permite ao político transformar ideias em iniciativas concretas. “O mandato é a ferramenta para fazer tudo isso. Só precisa usar para o bem.”
Mais maturidade no retorno
Valle afirmou que se considera diferente do político que entrou pela primeira vez na Câmara Legislativa. “Muito mais maturidade.”
Segundo ele, o período fora da política permitiu retomar o contato direto com dificuldades enfrentadas por cidadãos e empresários. “Eu acho que todo político devia ficar pelo menos um mandato fora para sentir as dores de novo do cidadão comum.”
Ele também citou estudo e experiência acumulada. “A maturidade, a idade, a vivência, o estudo — eu estudo muito, gosto de estudar — me fazem uma pessoa completamente diferente nesse mandato que estou me propondo a fazer novamente.”
Balanço do período na Câmara Legislativa
Questionado sobre o mandato anterior, Joe Valle citou ações nas áreas de legislação, representação e fiscalização. “Das três atividades, legislar, representar e fiscalizar, a gente prestou atenção e construiu a mensuração do que nós fizemos.”
Valle afirmou que, durante seu período na Casa, foram produzidas dezenas de leis com participação social. “Eu tenho uma revista que mostra tudo que nós fizemos. Foram 70 leis feitas a partir dos cidadãos, com reuniões, workshops, com todo um processo para chegar numa lei coletiva.”
Ele citou também a criação de uma comissão permanente. “Nós criamos uma comissão permanente na Câmara chamada Transparência e Governança.”
Outra iniciativa lembrada foi o projeto Câmara em Movimento, que levava atividades legislativas às regiões administrativas.“Eu levava a Câmara para as cidades.”
Segundo Valle, parte do trabalho consistia em registrar demandas da população e cobrar respostas dos órgãos responsáveis.“Eu tinha indicadores, painéis nas paredes mostrando quanto daquela demanda tinha sido cumprida ou não para poder dar um retorno para as pessoas.”
Participação dos setores econômicos no Legislativo
Valle defendeu que diferentes segmentos empresariais acompanhem de forma organizada os projetos em análise na Câmara Legislativa.
Ele citou como referência o acompanhamento legislativo realizado pela Federação das Indústrias. “Eu acho que estou fazendo isso para os bares e restaurantes fazerem também, para os supermercados fazerem também, lançarem seus cadernos legislativos e acompanharem na Câmara o que está acontecendo.”
Segundo Valle:“Esse acompanhamento é fundamental e o deputado pode fazer isso, ajudar quando ele é representante do setor.”
Câmara mais próxima da população
Outro ponto tratado foi a necessidade de ampliar a presença institucional do Legislativo nas cidades do DF. “Eu não tenho a menor dúvida de que a Câmara precisa estar mais presente.”
Valle recordou ações destinadas a ampliar a visitação à sede do Legislativo. “Nós saímos de 10 mil pessoas que visitavam a Câmara para 60 mil pessoas.”
Para ele, a mensagem pretendida era: “Essa casa está aberta para todas as pessoas que quiserem.”
Também defendeu recuperar iniciativas de inovação e participação. “Eu acho que tem que voltar. É um trabalho muito legal.”
Empreendedorismo em respostas rápidas
No encerramento, Paulo Melo propôs uma rodada de perguntas curtas.
Ao definir o ato de empreender, Valle respondeu: “Empreender é inovar, fazer coisas boas na cidade e não ter medo de se jogar completamente naquilo que você acredita.”
Sobre uma qualidade indispensável ao empreendedor: “Espírito de aventura.”
Questionado sobre o maior erro de quem começa uma empresa: “Não planejar.”
Entre propósito e resultado: “Resultado.”
Entre planejamento e execução: “Execução.”
Entre produzir e vender:“Vender.”
Entre campo e cidade: “Campo.”
Sobre uma decisão difícil que valeu a pena: “Montar o seu próprio negócio.”
Ao citar uma pessoa que influenciou sua trajetória: “Clevane Ribeiro, minha companheira.”
Sobre liderança: “Líder é aquele que é seguido. Ele precisa ter uma característica fundamental, que é saber fazer e saber ensinar.”
Perguntado sobre algo que Brasília ainda precisa melhorar, respondeu: “Transporte e saúde.”
Política em uma palavra: “Entrega.”
Malunga em uma palavra: “Sustentabilidade.”
Brasília em uma palavra: “Capital da República.”
Por fim, ao imaginar qual conselho daria ao jovem Joe Valle do início da trajetória, respondeu: “Calma. Você precisa planejar as coisas e ouvir as pessoas.”
Considerações finais
Nas considerações finais do episódio, Joe Valle voltou a mencionar sua candidatura e pediu que os eleitores observem o histórico dos concorrentes antes de tomar uma decisão. “Eu quero que você que vai escolher agora olhe o currículo das pessoas, preste atenção no que as pessoas já fizeram, mas principalmente na seriedade delas.”
Na sequência, apresentou sua própria mensagem eleitoral e informou seu número de campanha durante o podcast. Ao concluir sua participação, Valle voltou a falar sobre Brasília e comunicação. “A comunicação, para mim, é uma coisa de fundamental importância. Comunicação séria, ainda melhor.”
E encerrou: “Eu quero me dedicar e me entregar completamente a construir essa Brasília do bem que tanto eu acredito.”
O episódio do Empreender Brasília percorreu, assim, diferentes dimensões da trajetória de Joe Valle: a origem nordestina, a construção da Fazenda Malunga, a consolidação da agricultura orgânica, os erros e aprendizados como empresário, a sucessão familiar, a passagem pela administração pública e sua decisão de retornar à disputa eleitoral.
Mais do que uma retrospectiva profissional, a conversa apresentou as posições que Valle pretende associar a essa nova etapa política, principalmente nas áreas de ambiente de negócios, turismo, gestão pública, saúde, tecnologia e desenvolvimento econômico do Distrito Federal.
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