Em entrevista a Paulo Melo, Tiago Társis detalha propostas para segurança, saúde e transporte no DF

Candidato do Agir ao Senado pelo Distrito Federal apresenta propostas para segurança pública, saúde, transporte, geração de empregos e desenvolvimento tecnológico e afirma que pretende manter diálogo com diferentes governos

O candidato ao Senado pelo Distrito Federal Tiago Társis Adaldo, do Agir, número 360, apresentou propostas para o DF e para o país durante entrevista ao Correio do Poder cast. Ao longo da conversa, ele defendeu uma atuação independente no Senado, investimentos em segurança pública e tecnologia, ampliação da formação profissional, mudanças nas regras para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), combate às apostas e maior integração entre os governos federal e distrital.

Nascido em Brasília, Társis se apresentou como agricultor e pequeno empresário e destacou sua experiência na administração pública como parte da trajetória que, segundo ele, o credencia para disputar uma cadeira no Senado. O candidato afirmou que decidiu entrar na corrida eleitoral por considerar necessária uma representação concentrada nos interesses do Distrito Federal.

“Alguém tinha que enfrentar os desafios para defender, para proteger o Distrito Federal. Alguém precisa assumir essa responsabilidade, e essa pessoa, neste momento, sou eu”, declarou.

Ao falar da própria trajetória, Társis afirmou estar envolvido há cerca de duas décadas com a política e a administração pública do DF. Disse ainda que pretende combinar experiência profissional, formação acadêmica e vivência como produtor rural na atuação parlamentar.

“Eu sou um brasiliense de 39 anos de idade que há 20 anos está envolvido com a política do Distrito Federal. Eu sou uma pessoa que tem amor por essa cidade. Eu sou nascido e criado aqui”, afirmou.

Independência e diálogo político
Um dos principais pontos abordados durante a entrevista foi a independência política. Társis disse que não pretende atrelar seu eventual mandato a grupos econômicos ou estruturas partidárias, mas ressaltou que independência não significa ausência de diálogo.

Segundo ele, um senador pelo Distrito Federal precisa conversar tanto com o Palácio do Planalto quanto com o Governo do Distrito Federal, independentemente de quem ocupe os cargos. “Não me importa quem vai ser eleito aqui no Distrito Federal, seja um candidato de esquerda, de direita, independente ou de centro. Eu vou ter que fazer a articulação entre o governo federal e o Distrito Federal para resolver os problemas do DF e também dentro do Senado”, afirmou.

Társis também declarou apoio à candidatura presidencial de Augusto Cury, mas afirmou que, se eleito senador, pretende manter interlocução institucional mesmo com um presidente de outro campo político.
Saúde, segurança e transporte

Questionado sobre os principais problemas enfrentados pela população do Distrito Federal, Társis apontou três áreas: saúde, segurança pública e transporte.

Na saúde, defendeu maior integração entre o Ministério da Saúde, a Secretaria de Saúde do DF e a rede do Entorno. Entre as medidas citadas está a possibilidade de utilização da rede privada, por meio de contratos e convênios, para reduzir filas por exames e cirurgias eletivas.

“A gente precisa de uma integração da saúde em nível distrital e federal e também com a rede, com o Entorno, para que a saúde seja unificada”, declarou.

Na segurança pública, o candidato defendeu a recomposição gradual dos efetivos da Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e Defesa Civil. Também propôs investimentos em câmeras e sistemas de inteligência artificial para auxiliar as forças de segurança.

“Sou a favor que entre um policial civil, um policial militar, mas que tenham mais câmeras de segurança com inteligência artificial para prever padrões”, afirmou.

Társis também defendeu investimentos em equipamentos para rodovias e fronteiras, além de alterações legislativas relacionadas ao combate ao crime.
Transporte público e Tarifa Zero

Na área de mobilidade, o candidato classificou a proposta de Tarifa Zero no transporte coletivo como uma ideia que merece análise, mas afirmou que ainda precisa ter acesso a dados técnicos antes de assumir uma posição definitiva sobre o modelo de financiamento.

“Eu preciso de mais dados técnicos que eu não tenho acesso hoje, mas eu vejo que é uma boa, sim”, disse.

Para Társis, a discussão não deve ficar restrita ao preço da passagem. Ele afirmou que Brasília precisa melhorar a qualidade e a frequência do transporte, com investimentos principalmente no metrô.

“A gente tem uma necessidade urgente de ter mais vagões, porque os vagões estão, além de sucateados, em pequena quantidade”, declarou.

Segundo ele, emendas parlamentares poderiam ser direcionadas para vagões, trilhos e infraestrutura elétrica do sistema metroviário.


Fotos: Pedro Santos.

Capacitação profissional e geração de renda
Para estimular a geração de empregos, Társis apontou o ensino técnico e profissionalizante como uma das prioridades.

Na avaliação do candidato, plataformas digitais e ensino a distância podem ampliar o acesso à qualificação profissional e favorecer tanto a entrada no mercado de trabalho quanto o empreendedorismo.

“Essas capacitações são fundamentais não só para a questão do emprego, mas principalmente para a geração de renda, de renda própria, para a geração de empreendedorismo”, afirmou.

Társis disse estar cursando uma segunda graduação, em Ciência de Dados, e uma pós-graduação relacionada à educação a distância para o ensino profissional.
STF e mandato para ministros

Durante a entrevista, Társis também abordou a relação entre Senado e Supremo Tribunal Federal. Ele defendeu que processos de impeachment contra autoridades sejam baseados em fatos e na comprovação de infrações, e não simplesmente em divergências políticas ou judiciais.

“Tem que ser porque a pessoa cometeu crime. Eu não posso divergir da pessoa porque ela torce pelo Vasco e vou abrir impeachment contra ela”, exemplificou.

O candidato também se posicionou a favor da criação de mandato com duração determinada para ministros do STF. Atualmente, os ministros permanecem no cargo até a aposentadoria compulsória, aos 75 anos.

“Eu sou a favor de mandato de ministro de oito a dez anos dos ministros do Supremo, porque eu acho que é um tempo suficiente para a pessoa se doar”, declarou.

Ele afirmou que, se eleito, pretende apoiar uma mudança constitucional sobre o assunto.


Combate às drogas e às apostas
Outro ponto destacado por Társis foi o combate às drogas e às apostas. O candidato defendeu políticas de repressão à entrada de drogas pelas fronteiras e ações de prevenção ao consumo.

Sobre as plataformas de apostas esportivas, as chamadas bets, adotou uma posição mais abrangente: defendeu o banimento dos jogos de aposta e de sorte e azar no país, incluindo loterias administradas pelo poder público. “Eu sou a favor de erradicar, de eliminar, de tirar todo tipo, banir as bets do Brasil, banir todo tipo de jogo de aposta, todo tipo de jogo de sorte e azar, inclusive a loteria federal”, afirmou.

Na avaliação de Társis, esse tipo de atividade pode incentivar endividamento e criar a expectativa de enriquecimento rápido.

Energia nuclear, terras raras e tecnologia
Na área econômica e tecnológica, Társis defendeu a diversificação da matriz energética brasileira e investimentos simultâneos em energia solar, eólica, hidrelétrica e nuclear.

“Como senador, eu pretendo fazer investimento em pesquisa. Eu pretendo apoiar a pesquisa com recurso”, afirmou.

O candidato também defendeu pesquisas envolvendo energia nuclear e tecnologias de fissão e fusão, além de políticas voltadas às terras raras.

Para ele, o Brasil deve buscar não apenas extrair esses minerais, mas também desenvolver capacidade industrial para processá-los e utilizá-los na fabricação de produtos tecnológicos.

“A gente tem que ter tecnologia própria para as nossas terras raras não serem exportadas para fora, para que a gente beneficie elas aqui e nós tenhamos os chips, os semicondutores e todas as ações que são necessárias”, disse.

Na mineração, Társis reconheceu a existência de impactos ambientais e defendeu mecanismos de compensação e recuperação das áreas atingidas.

Regularização fundiária e área rural
O candidato também tratou da regularização fundiária no Distrito Federal. Morador ligado à região rural de Braslândia, afirmou que experiências como a de Vicente Pires podem servir de referência para outras localidades, desde que sejam respeitados direitos de propriedade e decisões judiciais. “A gente tem que fazer isso para todos de maneira onde todo mundo tenha acesso aos mesmos direitos”, afirmou.

Para as áreas rurais, Társis defendeu fortalecimento da assistência técnica, apoio à agricultura familiar, melhoria das estradas rurais e ampliação da segurança.

O candidato destacou especialmente o trabalho da Emater e relatou sua própria experiência como usuário dos serviços de assistência rural.


Transparência e combate à corrupção
Ao abordar corrupção e transparência, Társis afirmou que pretende apoiar medidas que ampliem a fiscalização sobre agentes públicos, inclusive senadores, assessores, gabinetes e emendas parlamentares. “Toda medida de transparência é bem-vinda”, afirmou.

O candidato também defendeu o endurecimento das regras de inelegibilidade para pessoas condenadas após o exercício do direito de defesa e afirmou que pretende atuar pela responsabilização de autoridades quando houver comprovação de irregularidades.

Társis apresentou sua trajetória pessoal como um dos pilares de sua campanha e afirmou que quer ser investigado e pesquisado pelos próprios eleitores. “Meu maior patrimônio, Paulo, é o meu CPF”, declarou.

Campanha e acessibilidade ao eleitor
Na entrevista, Társis afirmou que sua campanha não depende de grandes estruturas políticas ou econômicas. Questionado sobre qual compromisso poderia ser cobrado no primeiro ano de um eventual mandato, destacou a abertura do gabinete aos cidadãos. “A única promessa é a acessibilidade. É que todo mundo vai ser atendido igual, todo mundo vai ser tratado da mesma maneira”, afirmou.

Segundo o candidato, a proposta é estabelecer atendimento por ordem de chegada e manter o gabinete acessível à população. “Eu não pretendo mudar. Eu não pretendo estar diferente daquilo que eu sempre preguei para todos os candidatos: fazer o certo e escutar todo mundo. É o que eu posso prometer como senador”, disse.

“Você pode me chamar de esperança”
No encerramento do podcast, Társis fez um discurso diretamente aos eleitores e apresentou sua candidatura como uma proposta de renovação política. “O meu nome é Tiago, mas você pode me chamar de esperança. Esperança é uma coisa que, infelizmente, as pessoas têm roubado nos últimos anos da gente. A minha candidatura é porque eu tenho esperança no Distrito Federal”, declarou.

Ele disse esperar enfrentar pressões caso chegue ao Senado, mas afirmou que pretende manter como prioridade a defesa dos interesses do Distrito Federal. “Eu vou fazer de tudo para que o nosso mandato seja o mandato mais vitorioso, o mandato mais assertivo possível. Isso é o que eu posso prometer”, concluiu.

Tiago Társis Adaldo concorre ao Senado pelo Distrito Federal pelo Agir, com o número 360. A candidatura consta na Justiça Eleitoral, e a situação do registro deve ser acompanhada nas atualizações oficiais do processo eleitoral.



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