FIDCs: entre crescimento e qualidade

Marcio Aguilar / Divulgação


A expansão dos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), que ganharam escala e protagonismo no último ano, não significa apenas um recorde estatístico. Ela sinaliza que o crédito vem sendo reorganizado em torno de estruturas lastreadas em recebíveis. E quando o lastro passa ao centro da decisão, a questão é se infraestrutura e governança acompanham essa escala.

Os números, aliás, evidenciam esse movimento. Em 2025, o mercado de FIDCs chegou a R$ 833,5 bilhões em ofertas, alta de 6,4% ante os 12 meses anteriores, conforme a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima). E, neste ano, os dados seguem positivos, enquanto outras classes, por exemplo, mantêm maior grau de oscilação.

A discussão, porém, vai além do volume. O investidor não abandonou a prudência, mas passou a exigir mais método. E quanto maior a escala e mais diversificada a base de investidores, cresce a responsabilidade sobre critérios, documentação, acompanhamento e mecanismos de proteção.

É por essa razão que as novidades regulatórias e de infraestrutura têm peso no debate. Iniciativas como duplicata escritural, boleto dinâmico e exigências de registro apontam para um ambiente com informação mais rastreável e menor espaço para ruído na cadeia do recebível. Isso importa porque, quando o segmento cresce, o risco tende a se concentrar onde a estrutura falha: origem do crédito, documentação e cobrança.

Com dados mais padronizados, o mercado tende a ganhar eficiência, reduzir fricções operacionais e fortalecer a transparência. No médio prazo, isso pode favorecer spreads mais racionais e ampliar o financiamento de recebíveis menores.

Nesse ambiente, o fomento comercial se conecta diretamente ao tema. Ao atuar na aquisição de direitos creditórios e na antecipação de recebíveis, o setor opera na linha de frente da originação e da verificação do que sustenta a carteira, da entrega ao comportamento de pagamento. Em um ciclo de crescimento, essa disciplina ajuda a separar volume de qualidade.

No fim, o ponto não é celebrar recordes, mas observar se a expansão virá acompanhada de documentação robusta, rastreabilidade e governança. Se vier, o crédito por recebíveis tende a avançar ainda mais, ampliando seu efeito na economia real, com o fomento ocupando posição relevante na qualificação desse movimento.

Marcio Aguilar

* Presidente do Sindicato das Sociedades de Fomento Comercial – Factoring do Estado do Rio Grande do Sul (Sinfac-RS)

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