Doenças respiratórias aumentam com o frio e podem levar pacientes para a UTI



Médico da Domed, em Brasília, alerta para o aumento da incidência de doenças oportunistas. Confira as dicas para evitar esse risco

Com a intensificação das temperaturas mais baixas, cresce também a preocupação com os impactos do frio na saúde da população. Além do desconforto térmico, o período favorece o aumento de doenças respiratórias, agrava condições crônicas e eleva o número de atendimentos hospitalares e internações em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs).

De acordo com a Domed, empresa de gestão de UTI que atua no Distrito Federal, o aumento nas internações em função de doenças respiratórias durante os meses frios é significativo, podendo representar mais de 80% dos pacientes hospitalizados.

Segundo o médico Edvar Júnior, responsável técnico pela terapia intensiva na unidade, o frio contribui para um conjunto de fatores que favorecem a disseminação de vírus respiratórios. “Durante os dias mais frios, as pessoas tendem a permanecer em ambientes fechados e com menor circulação de ar, aumentando o risco de transmissão de agentes infecciosos como influenza, vírus sincicial respiratório (VSR), rinovírus e outros vírus respiratórios”, relatou.

Além disso, as baixas temperaturas podem provocar alterações fisiológicas importantes no organismo. O resfriamento das vias aéreas pode reduzir mecanismos naturais de defesa do sistema respiratório, tornando o corpo mais suscetível a infecções.

“Os grupos mais vulneráveis continuam sendo idosos, crianças pequenas, gestantes, pacientes imunossuprimidos e pessoas com doenças crônicas, especialmente cardiovasculares e pulmonares”, destaca Bruno Aquino Monteiro, vice-presidente da AMH, holding que abarca a Domed.

Além do sistema respiratório

Embora as doenças respiratórias sejam as mais associadas ao frio, os efeitos das baixas temperaturas vão além dos pulmões.

“O organismo precisa trabalhar mais para manter a temperatura corporal estável, o que pode aumentar a sobrecarga cardiovascular”, destacou o Dr. Edvar. “Em pessoas predispostas, isso pode favorecer elevação da pressão arterial, descompensação de doenças cardiorrespiratórias e aumento do risco de eventos cardiovasculares”, completou.

Pacientes com doenças pulmonares crônicas, como asma e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), também costumam apresentar maior número de crises durante esse período. “Nessa época, mais do que em qualquer outra, o oxigênio hospitalar é um insumo vital dentro dos hospitais”, lembrou Félix Aidar Neto, gerente da Domed.

Prevenção é a melhor estratégia

Embora o frio seja um fator natural da estação, seus impactos sobre a saúde podem ser minimizados com informação, prevenção e acesso adequado aos serviços de saúde.

Assim, a conscientização da população e a preparação das estruturas assistenciais tornam-se fundamentais para proteger vidas e garantir respostas mais eficientes aos períodos de maior pressão sobre o sistema de saúde.

“A atenção aos sinais do corpo e a busca precoce por atendimento continuam sendo medidas decisivas para evitar agravamentos e reduzir a necessidade de internações em terapia intensiva”, finalizou o Dr. Edvar.

Cuidados importantes durante o frio

O doutor Edvar Júnior recomenda algumas medidas simples para reduzir os riscos durante os períodos de baixas temperaturas:

  • Manter a vacinação contra gripe e outras doenças respiratórias em dia;

  • Higienizar as mãos com frequência;

  • Evitar ambientes fechados e sem ventilação por longos períodos;

  • Manter boa hidratação, mesmo quando a sensação de sede diminui;

  • Utilizar roupas adequadas para proteção térmica;

  • Manter acompanhamento médico regular em caso de doenças crônicas;

  • Procurar atendimento diante de sintomas persistentes como febre, falta de ar, chiado no peito ou piora do estado geral.


Foto: Magnific


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