Por Gabriel Dias – CEO da GET Comunicações e
Neurocomunicóloga
O
mercado imobiliário de alto luxo brasileiro vive um momento histórico. Em 2025,
segundo levantamento da Brain Inteligência Estratégica, publicado pela Forbes
Brasil, o segmento apresentou um salto expressivo: o Valor Geral de Vendas
(VGV) lançado avançou 120%, alcançando R$ 37,1 bilhões, enquanto o VGV vendido
cresceu quase 90%, somando R$ 34,3 bilhões. Esse desempenho confirma que o
setor de alto padrão não apenas resiste às oscilações econômicas, mas se
consolida como motor estratégico do mercado imobiliário nacional.
Mesmo
diante da desaceleração global no consumo de bens premium, o Brasil registrou
12,8% de aumento nas transações em 2024 e manteve expansão em 2025,
impulsionado por investidores estrangeiros, câmbio favorável e novas tendências
em sustentabilidade e tecnologia.
Para
2026, a expectativa é de continuidade da expansão, com foco ainda maior em
tecnologia (realidade aumentada, inteligência artificial e automação
residencial), ESG (certificações verdes e práticas ambientais), personalização
extrema (plantas flexíveis e acabamentos sob medida) e experiência humanizada,
em que o imóvel é percebido não apenas como produto, mas como estilo de vida e
legado.
Essa
evolução do mercado não pode ser compreendida apenas sob a ótica econômica: ela
exige uma leitura profunda do comportamento humano. É nesse ponto que a neurocomunicação
se torna decisiva. Se o luxo cresce porque entrega status, pertencimento e
inovação, a comunicação precisa ser capaz de traduzir esses atributos em
narrativas que ativem emoção, razão e experiência. A ciência do cérebro
aplicada ao marketing imobiliário é o elo que conecta os números de mercado às
decisões de compra, e que transforma dados em estratégia.
O
cérebro e a decisão de compra
Pesquisas recentes em
neuromarketing e comportamento do consumidor, incluindo estudos de Gerald
Zaltman da Harvard Business School, mostram que entre 80% e 95% das decisões de
compra são guiadas por processos emocionais e inconscientes, mesmo em transações
de alto valor. Isso não significa que a razão esteja ausente: a neurociência
contemporânea demonstra que a decisão é híbrida, resultado da integração entre
emoção predominante e avaliação racional.
Em
vez de compartimentos isolados, hoje sabemos que redes neurais integradas
trabalham em conjunto:
- Sistema
de recompensa: estruturas como o núcleo accumbens, ligado ao prazer e à
motivação, e o córtex pré-frontal, responsável por avaliar valor e tomada
de decisão, entram em ação liberando dopamina quando o consumidor percebe
status, exclusividade ou oportunidade de ganho.
- Processamento
emocional: memórias afetivas e vínculos sociais influenciam diretamente a
percepção de valor, tornando narrativas de pertencimento e legado
decisivas.
- Processamento
cognitivo: regiões ligadas ao raciocínio lógico avaliam dados concretos
como metragem, certificações, diferenciais arquitetônicos e projeções de
valorização.
No
alto luxo, campanhas eficazes são aquelas que ativam emoção e razão
simultaneamente: exclusividade e lifestyle despertam prazer e pertencimento,
enquanto dados técnicos reforçam confiança e reduzem risco. Essa integração
mostra que a decisão de compra é híbrida: o consumidor de alto padrão responde
melhor a mensagens que equilibram narrativas aspiracionais com evidências
concretas.
Vivemos
ainda a era da disputa pela atenção, em que o excesso de estímulos exige
mensagens mais humanizadas, personalizadas, relevantes e assertivas. A
comunicação precisa ser capaz de capturar o olhar, despertar emoção e gerar
confiança em segundos, utilizando tanto as redes sociais, com sua velocidade e
alcance, quanto canais de credibilidade como a imprensa, além de experiências
sensoriais que reforçam status e pertencimento.
A
técnica do Cubo de Noriso aplicada ao luxo
O Cubo de Noriso é um
framework comportamental que organiza a decisão de compra em três eixos
principais: risco, social e novidade. Cada eixo representa uma tendência
distinta - da busca por grandes retornos à valorização de status e
pertencimento, passando pela atração por inovação e pioneirismo. Quando esses
eixos se cruzam, como em um espaço tridimensional, surgem diferentes perfis de
comprador, cada um com sua forma própria de perceber valor e responder a
estímulos emocionais e racionais.
No
mercado imobiliário de alto padrão, essa ferramenta se torna estratégica porque
permite que campanhas sejam desenhadas de acordo com o estilo de decisão
predominante de cada cliente. Em vez de uma comunicação genérica, o Cubo
possibilita mensagens personalizadas e multissensoriais, capazes de ativar
emoção e razão simultaneamente, mas ajustadas às motivações específicas de cada
perfil.
Para
potencializar essa técnica, é essencial contextualizar cada dimensão conforme o
perfil comportamental do comprador:
- Alta
conscienciosidade (perfil analítico): busca previsibilidade e dados concretos. Aqui, a
dimensão da razão ganha força, com métricas de valorização,
certificações e histórico da incorporadora, por exemplo.
- Baixa
conscienciosidade (perfil flexível): mais aberto ao improviso e lifestyle. A emoção
e a experiência são centrais, com visitas sensoriais, degustações e
narrativas aspiracionais.
- Perfil
social alto (orientado a conexões): valoriza pertencimento e status. A narrativa
e o símbolo são decisivos, mostrando o imóvel como palco de
encontros e networking, reforçado por associações com marcas de prestígio.
- Perfil
novidade alta (busca inovação):
atraído por tecnologia e pioneirismo. O contexto e o símbolo
se destacam, com smart homes, sustentabilidade e design futurista.
Esses
exemplos mostram como o Cubo de Noriso permite alinhar emoção e razão às
motivações específicas de cada comprador. Mas o mapeamento completo e
personalizado dos outros perfis possíveis e sua tradução em campanhas eficazes
exige a visão de uma estrategista especializada em planejamento estratégico e
neurocomunicação, capaz de transformar diagnóstico comportamental em
narrativas, símbolos e experiências sob medida para o mercado de alto luxo e
para a marca.
Essa
leitura integrada permite que a comunicação seja calibrada para diferentes
públicos, tornando o Cubo de Noriso não apenas uma técnica de estruturação, mas
um mapa estratégico de perfis. E mais do que uma metáfora, ele funciona
hoje como um framework estratégico que dialoga com os achados
contemporâneos da neurociência: decisões são híbridas, inconscientes e
integradas.
Perfis
dos consumidores e testes A/B no marketing digital
No
mercado imobiliário de alto luxo, a comunicação digital não pode se apoiar em
uma narrativa generalista. Cada comprador se posiciona de forma distinta dentro
dos eixos da neurocomunicação, e responde de maneira própria a estímulos, sejam
eles emocionais ou mais racionais. Alguns são atraídos por dados concretos e
previsibilidade, outros por lifestyle e pertencimento, outros ainda por
inovação e pioneirismo, como vimos. Ignorar essa diversidade é reduzir a
efetividade da mensagem e correr o risco de falar com todos sem convencer
ninguém.
É
nesse cenário que os testes A/B assumem papel estratégico. Mais do que uma
ferramenta técnica de performance, eles funcionam como um laboratório
comportamental: permitem validar, em tempo real, quais narrativas despertam
maior engajamento em cada perfil. Uma campanha pode testar, por exemplo, a
força de uma mensagem centrada em métricas de valorização contra outra que
enfatiza exclusividade e experiência sensorial. O resultado não é apenas uma
taxa de cliques mais alta, mas um diagnóstico preciso de como a
neurocomunicação se equilibra em diferentes públicos.
O
erro comum de muitas agências é estruturar campanhas digitais com uma
comunicação padronizada, acreditando que uma única narrativa será suficiente
para todos os segmentos. No alto padrão, inclusive, isso não funciona. O
consumidor é sofisticado, informado e exigente: ele espera que a mensagem fale
diretamente às suas motivações específicas. Por isso, os testes A/B precisam
ser desenhados para abranger os diferentes perfis de decisão, e não apenas para
comparar duas versões superficiais de uma mesma peça.
Quando
alinhados à neurocomunicação, os testes A/B deixam de ser apenas uma prática de
marketing digital e se tornam parte de um planejamento estratégico integrado.
Eles revelam nuances de comportamento, calibram narrativas aspiracionais e
técnicas, e consolidam a marca como referência em exclusividade e
credibilidade. O resultado é uma comunicação digital que não apenas gera
conversão, mas constrói vínculos emocionais duradouros com o público de alto
luxo – e é esse “ir além” que estamos falando aqui, o “pensar fora da caixa”: a
humanização, aproximação, fidelização, dentro de todo o funil de vendas.
Panorama
atual do mercado de alto luxo
O
mercado imobiliário de alto luxo vive um ciclo de expansão marcado por
sofisticação e novas exigências do consumidor. Mais do que adquirir um imóvel,
o comprador busca uma experiência completa que una status, tecnologia e
sustentabilidade.
Entre
as principais tendências destacam-se:
- Personalização: plantas flexíveis e acabamentos
exclusivos que traduzem identidade e estilo de vida.
- Smart
homes:
integração tecnológica, conectividade e eficiência energética como
símbolos de modernidade.
- Sustentabilidade: projetos alinhados às práticas
ESG e certificações verdes cada vez mais valorizadas.
No
entanto, para que essas narrativas não fiquem restritas ao ambiente digital e
atinjam o consumidor com autoridade e alcance, é preciso um canal capaz
de legitimar e amplificar a mensagem. É nesse ponto que a assessoria de
imprensa disruptiva se torna decisiva: conectando ciência, emoção e
contexto ao poder da mídia - transformando informação em influência e
visibilidade em conversão.
Assessoria
de imprensa disruptiva: da notícia ao lead qualificado
Tradicionalmente,
a Assessoria de Imprensa para o mercado imobiliário se limita a gerar
visibilidade por meio de releases, artigos, aparições em veículos com viés estritamente
institucional. Esse modelo, embora importante, apresenta um gap estratégico:
não conecta diretamente a exposição midiática com a jornada de decisão do
comprador.
No
contexto da neurocomunicação, a imprensa deixa de ser apenas vitrine e passa a
ser braço estratégico da comunicação, capaz de ativar estímulos emocionais
na jornada do cliente, fortalecendo vínculos e ampliando a percepção de valor.
O
erro das assessorias tradicionais
- Foco
excessivo em quantidade de publicações institucionais, sem mensurar
impacto real na decisão de compra.
- Desconexão
entre mídia conquistada e comportamento do consumidor.
- Falta
de integração com dados de neurocomunicação e perfis de decisão.
No mercado imobiliário de alto luxo, a
assessoria de imprensa sempre foi vista como ferramenta exclusiva de reputação
e autoridade. Esse papel continua central: credibilidade e confiança são
ativos indispensáveis para incorporadoras. Mas a visão contemporânea amplia
esse escopo.
É fundamental compreender que
jornalistas não trabalham com releases promocionais, mas com notícia. E
notícia, nesse contexto, significa pautas relevantes que prestem serviço ao
leitor: tendências de consumo, inovação tecnológica, sustentabilidade,
comportamento do investidor e experiências que traduzem o estilo de vida do
alto padrão.
A
visão atual e de futuro
O
futuro da assessoria de imprensa no mercado imobiliário de alto padrão passa
por uma mudança de paradigma: deixar de ser apenas exposição institucional e passa
a assumir papel estratégico na jornada de decisão do cliente. E neste cenário, uma
assessoria disruptiva entende que:
- O consumidor
de alto luxo busca credibilidade e confiança, e por isso a imprensa é
um dos canais mais poderosos para expandir a mensagem.
- Reputação
e autoridade: a
imprensa legitima a marca e reforça confiança junto ao público.
- Releases
e entrevistas precisam ser construídos com base em técnicas de neurocomunicação
e ética, ativando emoção (status, pertencimento), razão (dados de
mercado, valorização) e experiência (histórias reais de clientes).
- A humanização
é o diferencial: narrativas que mostram pessoas, trajetórias e valores
aproximam a marca do público, e torna a comunicação memorável
- O
clipping não é fim em si mesmo: é ferramenta de geração de leads
qualificados, quando conectado a backlinks, landing pages e narrativas
que conduzem o leitor à ação.
- Prestação
de serviço:
pautas que informam e educam têm maior valor jornalístico e conquistam
espaço orgânico.
Comunicação
assertiva com imprensa e público-alvo
- Imprensa
como ativador:
jornalistas e veículos são influenciadores de credibilidade, capazes de
reforçar símbolos de exclusividade e confiança.
- Público-alvo
como lead: cada
aparição deve ser pensada não apenas para reputação, mas para conversão,
transformando visibilidade em oportunidade real de negócio.
A
assessoria de imprensa disruptiva e inovadora, integrada à neurocomunicação,
mantém seu papel central de reputação e autoridade, mas amplia sua
função como motor estratégico de influência. Mais do que aparecer,
trata-se de conectar com sensibilidade, legitimar com ética e converter com
credibilidade. No mercado imobiliário de alto luxo, essa abordagem
posiciona o imóvel não apenas como produto, mas como experiência, pertencimento
e legado.
O
futuro da comunicação no mercado imobiliário de alto luxo passa por unir
ciência, emoção, humanização e mídia, transformando cada publicação em
experiência, cada backlink em oportunidade e cada narrativa em lead
qualificado.
Mais
do que aparecer, trata-se de influenciar, ativar e converter. É nesse ponto que
a comunicação deixa de ser secundária e se torna motor central e estratégico de
negócios, capaz de transformar visibilidade em valor real e duradouro.
SOBRE A AUTORA
Gabriela Dias - CEO e fundadora da GET Comunicações, com Pós-Graduação em Planejamento Estratégico em Comunicação e Especialização Lato Sensu em Neurocomunicação. Técnica pela UNICAMP, com mais de 20 anos assessorando marcas e líderes de alto nível.
Graduada
em Comunicação Social – Jornalismo, e também com formação em Artes Cênicas
(Atriz), une experiência em grandes veículos como Record e SBT, onde atuou como
chefe de redação, repórter, editora de texto e apresentadora.
“Transformo marcas e líderes em referências confiáveis
para o mercado e para a imprensa, unindo neurocomunicação, técnica,
sensibilidade e estratégia.”
Podcast “Vozes do Futuro do Marketing” -
convidada pela ESPM como uma das referências na área da Comunicação Corporativa
(Assessoria de Imprensa). Entrevista com Gabriela Dias: https://www.youtube.com/watch?v=3GLJYlxlsAM
💼
Linkedin: https://www.linkedin.com/in/gabriela-dias-7006ba18/
📸Instagram:
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🌐Site: www.getcomunicacoes.com.br
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