Durante a pandemia, síndicos registraram um aumento nas ocorrências relacionadas a ruído



Com mais pessoas ficando em casa por conta das medidas de isolamento social contra a Covid-19, os condomínios passaram a ter de lidar com o aumento no número de reclamações por barulho.
Síndica profissional e moradora de um prédio na Aclimação (região central de São Paulo), Lucieni Andriatta, 64 anos, afirma que tem recebido mais queixas relacionadas a ruído na quarentena. “Muita gente do prédio está trabalhando em casa, e aí qualquer barulho atrapalha”, diz.

Ela diz que, na maioria das vezes, tenta resolver o problema na conversa. “Mas se, depois das 22h, alguém excede muito, com uma festa, por exemplo, e há muitos moradores reclamando, a gente diz ‘ou para ou chamamos a polícia’.”

No entanto, quando o assunto é barulho, é preciso conhecer bem o que diz o regulamento de cada condomínio, já que há variações de horários e de limites de ruído. As leis de cada município também são diferentes umas das outras.


O advogado Bruno Boris, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie de Campinas, explica que, nesse caso, o regulamento prevalece sobre a legislação municipal. O condomínio não pode, entretanto, criar normas que prejudiquem imóveis vizinhos. Boris acrescenta que, mesmo no período diurno, a emissão de ruídos também tem seus limites e que devem ser respeitados.

Para obras, as restrições são ainda mais severas. “Durante a pandemia, as obras foram proibidas aqui no condomínio. Só são autorizadas em caso de urgência”, diz Lucieni.

No caso de haver uma reclamação por barulho, Boris orienta que haja bom senso por parte do síndico para determinar se está havendo, de fato, um abuso ou se há excesso por parte do reclamante. “É subjetivo. Mas se tiver reclamação não de uma só unidade, mas de duas ou mais, tem-se uma aparência de verdade”, diz.

“Toda vez que existe um excesso, incomoda mais que uma unidade. Quando o morador reclama sozinho e, depois de conversar com os dois lados consigo perceber, na maioria das vezes [se há razão para a queixa]. Quando o reclamante pega birra do outro, até uma tosse incomoda”, diz Sueli Nazaresco, síndica de um condomínio em Barueri (Grande SP).

O advogado Gilberto Carlos Maistro Junior, coordenador da pós-graduação em Direito Imobiliário na Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo, afirma que, se houver comprovação do barulho, é indicado que o síndico envie uma advertência por escrito.

“Se houver insistência, o que se espera é que seja aplicada multa”, diz Maistro Junior. A multa, entretanto, também tem de estar prevista no regulamento do condomínio e, caso não seja paga, o proprietário da unidade é enquadrado como inadimplente.

Corredor de acesso à área de lazer do condomínio Start Jardim Clube, na Vila Ema (zona leste de SP), precisou ser interditada com tapumes para que moradores não desrespeitem a proibição de uso do espaço durante fase mais grave da pandemia de Covid-19 .

A principal orientação é para que todos os moradores consultem o regulamento do condomínio
Cada prédio pode ter normas, horários e limites diferentes, e que devem ser respeitada
Fique atento também à legislação de cada município. Porém, nesse caso, o regulamento do condomínio é soberano à lei municipal
Geralmente, os regulamentos seguem uma norma da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), a NBR 10.151

Regras
Os regimentos costumam proibir barulho entre 23h e 8h do dia seguinte
Isso não significa que durante o dia seja possível fazer todo tipo de barulho

Em caso de barulho no prédio
A primeira atitude é entrar em contato com a portaria, o zelador ou o síndico e relatar o problema
O próprio síndico, ou algum funcionário do condomínio, deve entrar em contato com o morador que estaria fazendo barulho e alertá-lo sobre a reclamação
É indicado que seja enviada advertência por escrito à unidade, para formalizar a ocorrência
Se, mesmo após o aviso do síndico, o barulho continuar, o condomínio ou os vizinhos podem chamar a polícia
Havendo reincidência do problema, o morador poderá ser multado. O valor da multa depende do regulamento de cada condomínio


Como evitar
Coloque um tapete para as crianças brincarem
Utilize proteção para pé de cadeira, como feltro
Controle o volume ou use de fones de ouvido
Dependendo da atividade, o isolamento acústico pode ser uma opção. Neste caso é preciso consultar o síndico e obter a documentação necessária


Exemplos de ruídos
40 decibéis: sala de aula quieta
50 decibéis: geladeira em funcionamento ou carro passando na rua
60 decibéis: sala de estar com música ou televisão em volume moderado
70 decibéis: conversa em tom elevado
80 decibéis: rua residencial congestionada


Fontes: Bruno Boris (advogado e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie de Campinas) e Gilberto Carlos Maistro Junior (advogado e professor da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo)



Fonte: Agora São Paulo.