Doação, o alimento dos grupos socioassistenciais


Na segunda reportagem da série* sobre a rede de solidariedade alimentar em curso no DF,  a Agência Brasília mostra como a iniciativa – baseada na integração de instituições com engajamento da sociedade civil – garante o funcionamento de grupos socioassistenciais por meio de compra ou doação de alimentos.

Lar da Criança acolhe 766 crianças com até cinco anos | Foto: Acácio Pinheiro / Agência Brasília

Um dos diversos projetos de cunho social em andamento no DF, o Programa de Coleta e Doação de Alimentos (PCDA) tem 126 entidades socioassistenciais em seu cadastro de beneficiários. Conduzida pelas secretarias de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (Seagri-DF) e de Desenvolvimento Social (Sedes), a iniciativa assegura a distribuição semanal das chamadas “cestas verdes” por meio do Programa de Aquisição da Produção de Agricultura do Distrito Federal (Papa-DF). Frutas, verduras, legumes e tubérculos, tudo temperado com muita solidariedade, uma receita que garante alimentação saudável de pessoas carentes, com foco em crianças.

“É como estamos sobrevivendo, porque com a nossa verba não daria para pagar funcionários, encargos e alimentação”Maria Meire Nascimento, vice-presidente do Lar da Criança

Trata-se de um serviço essencial, pois muitas das entidades contempladas só conseguem manter seu funcionamento justamente devido aos alimentos adquiridos e a elas repassados pelo Governo do Distrito Federal. Além do suporte em si aos grupos assistenciais, o PCDA garante diversidade de alimentos, qualidade nutricional e, sobretudo, segurança alimentar para pessoas em vulnerabilidade social.

O Lar da Criança Padre Cícero, em Taguatinga, é uma das entidades cadastradas no PCDA. Há quatro meses a entidade recebe os mantimentos do programa, que passaram a ser distribuídos pelo Banco de Alimentos da Centrais de Abastecimento (Ceasa-DF) em decorrência da crise gerada pelo novo coronavírus.

Maria Meire é vice-presidente do Lar da Criança e dimensiona importância das doações / Agência Brasília

A vice-presidente do Lar da Criança, Maria Meire Nascimento, diz que o serviço é ainda mais fundamental para a alimentação dos assistidos no atual contexto da pandemia de Covid-19, com a consequente diminuição das doações. “É como estamos sobrevivendo, porque com a nossa verba não daria para pagar funcionários, encargos e alimentação”, admite.

Acolhimento

O Lar da Criança Padre Cícero funciona como abrigo para crianças de 0 a 2 anos que estão em situação de vulnerabilidade e são encaminhadas à entidade, uma vez constatado abandono ou maus-tratos, pela Vara da Infância e do Adolescente do Distrito Federal. Elas permanecem no abrigo até decisão judicial.

Os 14 pequenos que moram no lar recebem alimentação e vestuário. Lá eles também praticam atividades lúdicas, recebem atendimento médico e têm acompanhamento de serviço social. Além desse serviço de abrigo, a creche acolhe outras crianças de 2 a 5 anos, o que totaliza 766 menores assistidos.

“Somos uma importante rede de proteção às famílias e crianças em situação de vulnerabilidade social”Mayara Noronha Rocha, secretaria de Desenvolvimento Social

Nutricionista do abrigo, Monique Taira Silva lembra que a alimentação na primeira infância requer atenção e qualidade nutricional especiais. “Ficamos surpresos com a qualidade e variedade das frutas, verduras e legumes. Dependendo do carregamento, vêm frutas como maracujá e morango, que costumam ser mais caras”, explica a especialista.

Nutricionista do lar, Monique Taira se diz positivamente surpresa com a qualidade dos alimentos | Foto: Acácio Pinheiro / Agência Brasília

As doações do Banco de Alimentos também proporcionaram a diversificação do cardápio dos menores assistidos, em um processo que aproveita até as cascas dos alimentos. Todas as quintas-feiras o lar recolhe cerca de 360 quilos de produtos no banco, o que corresponde a cerca de 120 cestas verdes.

Secretária de Desenvolvimento Social do DF, Mayara Noronha Rocha destaca que a estrutura da política distrital de segurança alimentar e nutricional, com destaque para o Cartão Prato Cheio, beneficia diversas organizações da sociedade civil – apenas este programa contempla dezenas de milhares de famílias com insuficiências alimentares e nutricionais.

“Somos uma importante rede de proteção às famílias e crianças em situação de vulnerabilidade social”, afirma a secretária, enfatizando a importância das ações decorrentes da parceria entre a Secretaria de Desenvolvimento Social e a sociedade civil.

Entidade é uma das 126 cadastradas na Seagri-DF para receber cestas verdes | Foto: Acácio Pinheiro / Agência Brasília

Ações integradas

A atual gestão do GDF tem como uma de suas principais marcas o trabalho de forma integrada, com o envolvimento do maior número possível de atores governamentais nas mais diversas políticas públicas. Desde maio a Seagri e a Sedes, em parceria com a direção do Banco de Alimentos da Ceasa-DF, atuam na distribuição de cestas verdes para instituições socioassistenciais e famílias em situação de vulnerabilidade devidamente cadastradas.

“O acesso ao alimento por meio de compra ou doação às instituições pelas secretarias é fundamental para assegurar a segurança alimentar e nutricional dessas pessoas”, resume a subsecretária de Segurança Alimentar e Nutricional (Subsan), Karla Lisboa.

Ela defende que a colaboração entre as pastas na entrega de cestas, como complemento ao programa Prato Cheio, é mais do que uma simples distribuição de alimento. É, muitas vezes, a única fonte de alimentação de muitas famílias.

* Leia nesta terça-feira (13): quem é o produtor rural que está por trás da cesta verde e por que é melhor para ele que o caminho do produto seja acompanhado por instituições como Ceasa-DF e Emater-DF.

Fonte: Governo DF

Felipe Viana

Felipe Viana

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