Um resgate da origem da construção de Brasília


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Evidente potencial turístico do conjunto de residências será explorado após a revitalização | Foto: Joel Rodrigues / Agência Brasília

No coração da Vila Planalto, cinco casarões guardam a memória da criação de Brasília. Elas formam o Conjunto Fazendinha, que serviu para moradia de engenheiros que trabalharam para erguer a capital e abrigou equipamentos públicos. As estruturas de piso único, chão avermelhado e com janelas e suporte da caixa d’água de madeira sofreram com as ações do tempo e do esquecimento. Agora, o Governo do Distrito Federal vai trabalhar por resgate, revitalização e restauração daquele espaço.

Nesta sexta-feira (4), o local recebeu uma visita técnica intersetorial do governo, com o objetivo de definir ações. Na visita ficou determinada a criação de grupo de trabalho para elaborar um plano de medidas de revitalização do espaço, além de providenciar a transferência da gestão do conjunto da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh) para a Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec).

“Houve pedido da comunidade para inclusão no projeto de requalificação, que já está em condições de avançar, e então será estendido para atender a essa região em uma segunda etapa de prolongamento”Mateus Oliveira, secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação

Também será celebrado um convênio com a Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) e com a Administração Regional do Plano Piloto com o objetivo de desenvolver estudos necessários à futura contratação de projeto de restauração e demais ações para devolver o equipamento à comunidade. As medidas foram definidas após reivindicações da população.

O projeto da Rota Cultural e Turística da Vila Planalto foi retomado e está em pleno andamento. Nesta semana, durante audiência pública, a necessidade de olhar pelo espaço foi apontado pelos próprios moradores. É o que conta o titular da Seduh, Mateus Oliveira: “Houve pedido da comunidade para inclusão no projeto de requalificação, que já está em condições de avançar, e então será estendido para atender a essa região em uma segunda etapa de prolongamento”.

“Nós estamos nos 60 anos de Brasília. A comemoração ainda não acabou. Ela foi impedida, de certa forma, pelo coronavírus, mas não paramos de pensar nos aspectos culturais, de resgate da história de Brasília”Bartolomeu Rodrigues, secretário de Cultura e Economia Criativa

Administradora regional, Ilka Teodoro revela que o Conjunto Fazendinha é o único ponto de convergência de todas as reivindicações e grupos da Vila Planalto. “Essa reunião de todos os setores do governo demonstra o compromisso da gestão com a preservação da cidade, conservação da história de Brasília e espaços que operam além do afetivo, mas também no simbólico”, destaca a gestora, para quem os esforços são preocupação com a preservação histórica e cultural da cidade.

A secretária de Turismo, Vanessa Mendonça, destaca o potencial turístico da cidade como polos gastronômico e cultural. “A valorização do patrimônio material é imaterial. É da maior importância. No momento em que se investe na recuperação, proporcionamos à comunidade possibilidades de ressignificação da área, que tem tanto a colaborar com desenvolvimento de emprego e renda, com criação de novos negócios e investimentos”, acrescenta.

União de forças

Para evitar acidentes e incidentes no Conjunto Fazendinha foi desligado o fornecimento interno de água e a energia. Do lado de fora foi feita roçagem da grama alta, limpeza do espaço e esgotamento de água da piscina abandonada. A conservação é feita regularmente, mas, agora, com a união das forças governamentais e sociais, o plano é revitalizar e restaurar com mais apuro a localidade simbólica para a construção da capital.

“Nós estamos nos 60 anos de Brasília. A comemoração ainda não acabou. Ela foi impedida, de certa forma, pelo coronavírus, mas não paramos de pensar nos aspectos culturais, de resgate da história de Brasília”, valoriza o titular da Secec, Bartolomeu Rodrigues.

Necessidade de restauração e manutenção do local foi apontada pelos próprios moradores | Foto: Joel Rodrigues / Agência Brasília

Com a criação do grupo de trabalho, os integrantes poderão definir o plano de ação. “Tudo o que for estabelecido vamos trabalhar para executar em parceria com os outros órgãos”, avisa o presidente da Novacap, Fernando Leite.

A revitalização do Conjunto Fazendinha vai ao encontro dos princípios da atual gestão. “A principal missão dada pelo governador [Ibaneis Rocha] é recuperar os espaços públicos e a nossa cidade. Estamos fazendo isso com, eu diria, relativa competência e com o fator importantíssimo que é a integração dos órgãos”, define o secretário de Governo, José Humberto Pires.

“Nossa cidade fez 60 anos, mas não é uma senhora de idade. É uma jovem que precisa de cuidado, trato, zelo para que se apresente da forma que ela é para o Brasil e para o mundo. Além de ser ponto cultural, tem aspecto que pode ser relevante na área de turismo”, arremata.

Ação do tempo não tirou dos casarões sua importância histórica e cultural | Foto: Joel Rodrigues / Agência Brasília

Projeto turístico-cultural

O projeto da Rota Cultural e Turística da Vila Planalto envolve diversos órgãos. Ela terá início e fim nos arredores da tradicional Paróquia Nossa Senhora do Rosário de Pompéia, um marco cultural e arquitetônico da Vila Planalto fundado em 2 de abril de 1959.

O trajeto engloba ruas compartilhadas, com mais espaço e vez para pedestres, sinalização dos pontos turísticos, drenagem, preservação do conjunto tombado pelo patrimônio histórico, adequação de obras desconformes e edificações irregulares, qualificação dos espaços urbanos e desenvolvimento social e turístico.

Histórico

A Vila Planalto foi criada em 1957 para abrigar os acampamentos de operários que trabalhavam na construção da capital. O tombamento como Patrimônio Histórico do DF veio em 1988. O plano inicial era remover os trabalhadores após a inauguração de Brasília e transferi-los para as chamadas cidades-satélites – na nomenclatura atual, as denominadas regiões administrativas do Entorno.

Entretanto, seis acampamentos permaneceram no local, privilegiado pela proximidade com o centro do poder político e à beira do Lago Paranoá – fica a cerca de 500 metros do Palácio do Planalto, por exemplo. A cidade preserva características da época da construção, com reconhecido valor histórico no processo de ocupação do DF.

Fonte: Governo DF

Felipe Viana

Felipe Viana