Professora é demitida após dizer que menina estuprada “foi bem paga”


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Reprodução / Facebook

Eliana Nuci de Oliveira fez declarações alegando que menina estuprada era “bem paga”

Uma professora da educação básica da rede estadual foi demitida pela Secretaria de Educação do Estado de São Paulo após publicar em uma rede social mensagens dizendo que a menina de 10 anos estuprada pelo tio  “tinha vida sexual há quatro anos” e que o caso não se trata de “violência”. A exoneração do cargo aconteceu nesta quarta-feira (19).

“Ela já tinha vida sexual há quatro anos com esse homem. Deve ter sido bem paga”, disse Eliana Nuci de Oliveira. Em um segundo comentário, ela chegou a dizer que “criança se defende chorando para a mãe. Esta menina nunca chorou porquê?”.

A criança , que foi violada dos 6 aos 10 anos de idade e engravidou, tem o pai preso e a mãe morta. A menina vivia sob os cuidados da avó e do avô, que vivem da venda de coco como ambulantes, em uma praia do Espírito Santo .

“[Ela foi] demitida imediatamente para não estar próxima de nossas crianças e jovens”, disse o secretário da pasta, Rossielli Soares da Silva, para a coluna de Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo.

Na visão de Rossielli , “é um absurdo uma profissional que deve ser educadora e defensora da infância afirmar que não é uma violência. Repúdio total a qualquer um que defenda um absurdo”.

Relembre o caso

A menina de 10 anos foi estuprada na cidade de São Mateus, no Espírito Santo e engravidou. O suspeito de ter cometido o crime é o tio da menina, detido nesta terça-feira (18).

Autorizada pela Justiça a realizar um aborto legal, a criança realizou o procedimento em Recife, no Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros ( Cisam ). A avó e ela tiveram que entrar no local escondidas em um porta-malas para evitar o foco de protestos de grupos fundamentalistas.

A menina teve alta nesta quarta-feira (19) e os detalhes não foram repassados pela equipe médica responsável para proteger a imagem da criança.

Felipe Viana

Felipe Viana