Cacique Raoni recebe alta e agradece por apoio durante internação


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Cacique Raoni Metuktire, ícone da luta pela conservação da Amazônia no Brasil
R Gauditano/Survival

Cacique Raoni Metuktire, ícone da luta pela conservação da Amazônia no Brasil

O líder da etnia Kayapó, cacique Raoni Metuktire, de 89 anos, recebeu alta neste sábado (25), às 14h. Ícone da luta pela conservação da Amazônia no Brasil, ele estava  internado há nove dias em um hospital de Cuiabá.

Em entrevista coletiva realizada neste sábado, o cacique disse que está feliz pela recuperação e pelo apoio recebido durante o tratamento.

“Doença chega a qualquer dia e ataca alguém da nossa família. Queria que todas as pessoas pensassem nisso, respeitassem e amassem o outro. Devemos amar uns aos outros, doença não marca dia”, disse o cacique Raoni.

Raoni tratava de infecções no intestino no Hospital Dois Pinheiros, em Sinop, a 503 km de Cuiabá. Apesar de ainda estar debilitado, a unidade de saúde informou que o indígena está sendo preparado para voltar para casa.

“Chegou em um estágio preocupante. Havia risco de vida, fizemos a estabilização, o reidratamos e realizamos duas transfusões de sangue”, explicou o médico responsável pelo tratamento, Douglas Yanai.

“Ainda está um pouquinho debilitado, porque está terminando de se recuperar, mas está suficientemente forte para continuar liderando seu povo”, acrescentou o médico.

De acordo com a equipe médica, Raoni sofreu um agravamento das úlceras que já tinha pela falta de alimentação, devido a um “quadro de tristeza profunda”,  após a morte de sua esposa Bekwyjka, sua companheira de vida por 60 anos, vítima de um derrame cerebral, em 23 de junho.

“Nossa conclusão é que houve uma mistura de acontecimentos. O falecimento de sua esposa gerou um quadro de tristeza profunda no cacique” que, somada a uma “alimentação irregular”, agravou suas úlceras, disse Yanai.

O governo do estado disponibilizou um avião para transportar Raoni até a aldeia Metuktire, no território Xingu.

Felipe Viana

Felipe Viana