Ser um bom ouvinte


Na semana passada, eu inaugurei a minha coluna aqui no Cidades e Condomínios falando sobre Síndicos Inovadores. Esse tema foi inspirado em alguns síndicos que conheci e que me chamaram a atenção

Por Ana Maria Arsky

Procurei listar as principais características de um síndico inovador, e a minha proposta aqui é abordar cada uma delas nas próximas 14 semanas. Hoje eu vou falar sobre a primeira característica da lista: Ser um bom ouvinte. 

Ser um bom ouvinte não necessariamente significa dedicar horas e horas de seu dia para ouvir o que o morador tem a dizer. Não faz sentido o síndico receber o morador em sua sala, mas continuar teclando em seu celular, atendendo ligações ou despachando com outras pessoas ao mesmo tempo. Ah! Mas o deixa falar à vontade! Sim, o deixa falar, mas não o escuta com o nível que deveria. 

Nível? Isso mesmo. Nível. Existem 3 níveis de escuta e cerca de 90% das pessoas hoje praticam um nível superficial e sem atenção de escuta– o chamado nível 1. Além da demanda ser recebida parcialmente pelo síndico, a causa por trás dela, via de regra, não é entendida. Normalmente esses casos são aqueles que acabam gerando uma relação de muita fricção entre síndico e morador, porque a demanda real do morador não está sendo atendida e, por este motivo, ele sempre volta com uma nova estratégia, numa tentativa de ser bem sucedido. 

Alguns síndicos conseguem escutar em nível 2 – escutam o que o outro tem a dizer, mas não vão na raiz daquela demanda. Perguntar o porquê da insatisfação é a ferramenta que pode trazer à luz a origem dos problemas. E quando trazemos a origem à luz, se torna muito mais fácil encontrar uma solução eficaz. 

A escuta em nível 3 é a ideal. Ela economiza horas de conversa, transforma relações e proporciona resultados incríveis. O nível 3 acontece quando o ouvinte não só escuta com 100% de atenção à fala do interlocutor, mas também quando ele percebe os sinais que estão sendo emitidos. A expressão facial, o tom de fala, a cor da pele. Tudo isso irá dizer a profundidade do sofrimento que o interlocutor está tentando expressar, e o que ele não fala, mas demonstra através da própria vibração. 

Entender o que está incomodando de verdade o morador levará o síndico a direcionar a solução de forma muito mais assertiva. 

Mas para um síndico inovador, apenas o nível elevado de escuta não é suficiente. A escuta precisa vir acompanhada da empatia. Empatia não é simpatia. Empatia é se colocar no lugar do outro com a história de vida do outro. Enxergar a situação com as lentes do outro. Essa estratégia ajuda a entender o ponto de vista do interlocutor e também traz a oportunidade de mostrar outros pontos de vista sobre o assunto. 

Você já viveu uma situação em que num dia o morador está extremamente aborrecido com alguma coisa e no outro dia ele está totalmente satisfeito? Todos nós temos altos e baixos de humor durante o dia. Quando algo nos aborrece e toma conta de nossos pensamentos, nossa mente tende a levar tudo para o lado ruim. A expressão facial, a respiração e o tom de voz por exemplo, podem dizer muito sobre o humor desse morador e com um bom nível de escuta e empatia, você saberá qual a melhor estratégia usar. 

Grande parte do trabalho do síndico é intermediar conflitos. Entre moradores, entre colaboradores, entre a sociedade... O síndico inovador passa a exercer um papel incrível a partir do momento que faz uso da escuta e da empatia para dar soluções. Suas sugestões tendem a satisfazer a todos os lados. 

O síndico inovador transforma as relações e as pessoas à sua volta. Nas tomadas de decisão procura esclarecer os fatos, enxergar as situações de diversos ângulos, separar as emoções e promover soluções sempre pautadas no bem comum. Isso só é possível porque ele é um bom ouvinte! 

Você é um bom ouvinte? Que tal fazer uma experiência nessa semana e aplicar no seu dia a dia? Se o morador estiver com expressões sisudas, conte um fato engraçado ou fale de coisas positivas; Se ele está com uma feição entristecida, destaque as qualidades que você vê nele; Se o caso dele é solidão, peça uma ajuda à ele para executar uma tarefa; Se é stress, recomende um bom livro ou uma terapia corporal. 

Nós queremos saber qual foi o resultado dessa experiência! Mande sua experiência para nós no email condominiosemlixo@gmail.com para que possamos compartilhá-la por aqui, e até a próxima! 

*Ana Maria Keating da Costa Arsky é CEO da 4 Hábitos Para Mudar o Mundo e cradora do projeto Condomínio sem lixo.