Algemas de estimação

Fábio Machado Psicologia

Talvez as piores algemas sejam aquelas às quais nos submetemos por “escolha”. Temos a liberdade como uma importante meta a ser alcançada, porém, as influências sócio-culturais podem vir a sabotar o bom resultado desta busca, e por muitas vezes não questionamos, às vezes nem percebemos



Por Fábio Machado
Ao nascermos e sermos inseridos na sociedade, nos tornamos alvos de diversos ritos e normas (desde as expectativas dos nossos pais ao nosso respeito, até em “o que irão pensar de mim se eu fizer tal coisa?”) que inspiram naturalidade por serem tendências muito antigas, e que acabam recebendo status de “tradição obrigatória” para os que tocam o solo terrestre. 



É claro que toda liberdade enseja a agregação de responsabilidade para que possa ser usufruída de forma saudável e moderada, responsabilidade esta que nos salva como “freios” acionados diante das “estradas” das oportunidades da vida, nos dando a moderação necessária para que não nos excedamos nas velocidades e intensidades de nossas escolhas. Porém, cabe ressaltar algumas questões que influenciam a nossa “viagem”, e possuem certo toque de sabotagem, colocando normas de conduta acima do que gostaríamos de ser, de como gostaríamos de agir, e de como gostaríamos de projetar a nossa vida. Já nascemos “predestinados” a sermos o que querem que sejamos, o que reconheço, pode ser interessante e necessário até certo ponto, principalmente no que se refere aos cuidados dos pais para com os filhos, porém, podem vir a alcançar um viés castrador, haja visto as expectativas quanto à orientação sexual; quanto ao sucesso profissional; quanto ao matrimônio; quanto à maternidade/paternidade; quanto à pressão excessiva no que se refere aos resultados das provas escolares acima de qualquer circunstância, dentre outras. 

Talvez pudesse ser menos danoso se quando atingíssemos certo grau de maturidade nos permitíssimos aposentar certas demandas por entendermos que tais “necessidades” possuem mais vínculo com as expectativas criadas ao nosso respeito do que com escolhas de nossa autoria, porém, tal percepção normalmente não nos ocorre, e seguimos algemados a muitos “tenho que”, em muitos casos, por uma vida inteira. 

Acredito que o investimento no auto conhecimento seja o primeiro passo para que possamos identificar nossos desejos genuínos, bem como as amarras que nos impedem de realizá-los: nossas crenças e suas origens devem ser desvendadas, “içando nossas âncoras” para que naveguemos, e alcancemos “o porto desejado”. 

Não são raras pessoas que repetem as mesma condutas dos seus pais, a despeito de toda a repulsa que os causava à época, da mesma forma que não são raras pessoas que casam e divorciam consecutivas vezes pelos mesmos motivos, não percebendo o quanto buscam para si, inconscientemente, pessoas de um mesmo perfil disfuncional; bem como pessoas que não gostariam de ter filhos, porém “seguem o fluxo” de “crescerem e se multiplicarem” sem questionamentos; pessoas cristalizadas em seus pré-conceitos porque, afinal de contas, sempre foi assim... 

Permita-se ao auto conhecimento; permita-se a experimentar outro caminho; permita-se a saltos calculados; permita-se questionar o inquestionável; permita-se descobrir qual é o seu lugar.

*Fábio de Almeida Machado é psicólogo clínico, especialista em Terapia Cognitivo Comportamental (TCC). 

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