Bate-papo com a síndica Rute Negrão Viana

Na primeira edição da série de entrevistas intitulada de BATE-PAPO COM SINDICO, conversamos com a síndica Rute do Octogonal, veja abaixo as respostas dessa competente síndica ao nosso portal



1- QUAL O SEU NOME COMPLETO?
RUTE NEGRÃO VIANA. Mas pode me chamar de RuNeVi, pois é assim que me faço conhecer no exercício da sindicatura e em outros aspectos da vida de administradora e de gestora de condomínio. 



2- QUAL A SUA FORMAÇÃO OU PROFISSÃO?

Direito, Especialista em Direito Público e Especialista em Direito Processual Civil, Letras Tradução, Técnico em Contabilidade, Servidora Pública Analista Judiciário e Síndica Profissional. 


3- QUAL O CONDOMÍNIO QUE VOCÊ ADMINISTRA?
Atualmente o Bloco A da AOS 01 do SHC.


4- PORQUE DECIDIU SER SÍNDICA? 

Escolhi essa empreita porque eu fui conquistada pela ideia de poder contribuir para um condomínio bem administrado, organizado, seguro e acolhedor. Tudo começou quando me tornei Conselheira Fiscal e, logo depois, Presidente do Conselho. Ao entrar em “contato imediato de 3º grau” com as inúmeras facetas do direito condominial, fui, por assim dizer, mordida. Me apaixonei perdida e irremediavelmente. O fascínio é tamanho que é quase uma religião para mim (risos). 



5- COMO CONCILIAR SUAS ATIVIDADES, MAIS A DE SÍNDICA? 
No início da carreira, como eu estava totalmente deslumbrada, entrei de cabeça no negócio e confesso que tive algum desequilíbrio de tempo para conciliar as atividades da sindicatura com outras, como dar atenção a amigos e a mim mesma. Mas, tão logo mapeei os assuntos e problemas do condomínio, procurei me inteirar dos meandros da gestão condominial, dominei a macro visão do negócio todo, estabeleci um bom fluxo de trabalho e daí a sequência de tarefas entrou nos eixos naturalmente. Assim, consegui voltar a atender a tudo e a todos, e ainda conciliar a sindicatura com a carreira de Analista Judiciário, com os estudos aprofundados na área de administração e de gestão de condomínios, além de participar de cursos menores, palestras e workshops, bem assim fazer cursos de idiomas e praticar atividade física regular. Posso dizer que, além de ter boa memória, ser rápida e organizada e de ter um forte senso de prioridade, faço um pouco de mágica com meu tempo. 

6- COMO É SER SÍNDICA? 
Me apropriando das palavras de Euclides da Cunha, digo que ser síndico é ser “antes de tudo, um forte”. Ser síndico é buscar eternamente equilibrar o binômio receitas X despesas, é ser líder, é saber se posicionar contra discursos vazios de alguns poucos moradores e condôminos, é administrar conflitos, é persuadir a assembleia da eventual necessidade de instituição de taxas extras, é aprender a triar pedidos e sugestões de moradores, é saber administrar prioridades, é aprender a interpretar leis e normas, a ler plantas e pranchas de arquitetura e engenharia. A lista é quase infinita. 

7- QUANDO ASSUMIU QUAIS OS PROBLEMAS ENCONTRADOS? 
Encontrei um pouco de tudo: deterioração predial, péssima condição técnica da edificação, sujeira generalizada, falta de manutenção adequada e de recursos, desorganização documental, inscrição em dívida ativa e ações na justiça contra o condomínio, muita inadimplência, vandalismo, conflito de vizinhança, e por aí vai. 

8- O QUE REPRESENTAVA O MAIOR PROBLEMA? 
O maior dos problemas enfrentei ao assumir a sindicatura foi, sem dúvida nenhuma, o de paralisar a deterioração predial e os danos na edificação, com total escassez de recursos. Foi, e tem sido, o chamado ‘trabalho de formiga’. 

9- DEIXE UMA MENSAGEM DE OTIMISMO PARA OS SEUS COLEGAS SÍNDICOS? 
Para nós que vivemos o que vou chamar aqui de ‘aventura’ dessa tarefa árdua, vezes recompensadora vezes ingrata, que é ser síndico, digo que, em nossa trajetória, uma das capacidades fundamentais que precisamos desenvolver é a de decidir pela ação certa no momento preciso e tomarmos medidas mais preventivas do que corretivas, pois é isso que os condôminos e moradores esperam. Isso pode ser assustador. Porém, não devemos nos deixar abalar por receios e incertezas, nem devemos esperar que todas as condições sejam propícias e favoráveis para que ajamos com capricho e demos o nosso melhor. Devemos nos agarrar à certeza de conseguirmos realizar um bom trabalho, de sermos capazes de superar adversidades, e de que já fazemos e continuaremos a fazer a diferença. Sejamos corajosos, não com aquela coragem de quem toma decisões ingênuas, precipitadas e inconsequentes, cujo resultados podem ser desastrosos. Antes, sejamos corajosos para aprender a trabalhar, a tomar decisões respaldadas na sabedoria, na calma, e no exercício da paciência, da empatia e da capacidade de pôr-se no lugar dos outros. Que nossa sindicatura seja motivo de orgulho para nós e de exemplo para os que nos antecederam e nos sucederem, não como ‘a gestão infalível’, mas como a gestão de um síndico ou síndica que se esforçou em dar seu melhor, em executar condutas corretas do ponto de vista ético, moral, legal e fiscal, bem assim que adotou boas práticas no exercício da convivência com os condôminos, moradores e vizinhos.

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