segunda-feira, 5 de junho de 2017

Vidro no Distrito Federal é considerado rejeito. Não há empresas na capital que reciclem as peças


As cooperativas e o governo dizem ser um serviço inviável. Somente uma associação tenta manter os objetos fora da natureza, apesar do prejuízo, e não se sabe por quanto tempo conseguirá exportar os resíduos para outros estados. Enquanto isso, iniciativas tentam reduzir o desperdício.


O vidro precisa de quatro mil anos para se decompor e são necessários milhares de quilos de areia para ser produzido. Em contrapartida, é um material 100% reciclável e gasta menos energia e água no processo, além de emitir uma quantidade reduzida de poluentes. Em um mundo ideal, todo o conteúdo seria reaproveitado.

A orientação é que o vidro seja descartado junto com os rejeitos de lixo. O material vai para os aterros sanitários de Samambaia e do Jóquei, na Estrutural. Aqui, a cooperativa Recicle a Vida, em Ceilândia, recebe parte do descarte e envia vidros para São Paulo ou para o Rio de Janeiro, onde há empresas que os reciclam. Para o presidente da cooperativa, Cleusimar Andrade, o descarte de vidro no DF é um problema, mas a reciclagem ainda é inviável.


De acordo com Andrade, a tonelada de vidro vale R$ 140, mas o transporte custa R$ 160. “Nenhuma cooperativa quer trabalhar com vidro porque todo mundo sai no prejuízo. Não é viável. Como o vidro vem da areia, as empresas acham mais caro comprar vidro para reutilizá-lo. Hoje, existe uma única empresa que até se propõe a comprar o material, mas o preço pago não cobre nem os custos básicos”, afirma.




A Recicle a Vida é a única na capital que faz o trabalho de envio para reciclagem. Segundo o presidente, a destinação é feita por “consciência ambiental”, mas o serviço pode ser suspenso pela inviabilidade. O vidro representa cerca de 10% de todo o rejeito que a cooperativa recebe. “O vidro é o único material 100% reciclável. Se fosse viável, certamente seria o mais reciclado”, opina.


“O problema com a reciclagem do vidro não é exclusivo do DF. No Brasil, poucas cidades conseguem fazer o serviço porque o número de fábricas que aproveitam o vidro é pequeno. É uma matéria-prima com valor baixo, o que torna inviável economicamente”, explica Kátia Campos, presidente do Serviço de Limpeza Urbana (SLU).

De acordo com a gestora, recolher o vidro pela coleta seletiva provoca gasto duplo: “O custo da coleta seletiva é por peso e o vidro pesa muito e vira rejeito. No fim das contas, temos que pagar por essa coleta e, depois, ainda arcar com a entrega nos aterros”. Além disso, são registrados cem acidentes por ano na coleta de lixo.

Pela Lei dos Grandes Geradores de Resíduos Sólidos, aprovada pela Câmara Legislativa em fevereiro do ano passado, o reaproveitamento e a reciclagem do vidro não são de responsabilidade do poder público. De acordo com o SLU, a viabilização do aproveitamento é responsabilidade da indústria de vidro.

O governo aprovou, no ano passado, um decreto que reduz o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) de 12% para 1% para a indústrias da reciclagem. Isso para facilitar, ampliar e atrair o mercado para a capital.

A venda de bebidas pode ser restrita a embalagens retornáveis no DF, de forma a minimizar o impacto ambiental. A proposta de Projeto de Lei (PL 1.541/2017) foi apresentada pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes-DF) ao deputado Chico Vigilante. Apoiada pelo SLU, a ação estimula a substituição das garrafas de vidro por embalagens de alumínio ou plástico. De acordo com a autarquia, a medida aumentaria a vida útil do Aterro Sanitário de Brasília.


Fonte: Jornal de Brasília

Cidades e Condomínios por Celso Eduardo

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