segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Crise impõe planejamento rigoroso em condomínios

Os brasileiros sentem no bolso, as consequências da atual instabilidade econômica do país. Diante deste cenário, síndicos e administradores de condomínios precisam ser mais criteriosos com o planejamento financeiro para o novo ano



Síndicos e administrados precisam ser mais rigorosos com contas do condomínio. Foto: Reprodução.
“Com a crise que estamos passando é necessário que as pessoas façam um planejamento realista“, afirma o presidente do Secovi-Ba, Kelsor Fernandes. Um bom planejamento financeiro, portanto, deve começar pelo diagnóstico das despesas correntes do seu condomínio.

Escalas de funcionários mal feitas e horários desajustados, por exemplo, são problemas comuns que ocasionam acréscimos significativos, uma vez que incidem também sobre as obrigações sociais, mas que podem ser revistos.

Além disso, a previsão orçamentária para 2017 deve considerar os reajustes que ocorrem invariavelmente de um ano para outro.

“Síndicos e administradores devem ter na cabeça que em janeiro provavelmente haverá reajustes de salários de funcionários de condomínio”, diz o presidente do Secovi-Ba. Deve-se atentar sobre o quanto esses reajustes acrescem a taxa condominial, já que seu aumento impacta diretamente no bolso dos condôminos.

“É preciso que o síndico ou o administrador tenham conhecimento e cuidado, para que não se cobre um valor muito alto”, explica Fernandes.

Contratar especialista

Se for de interesse do condomínio, pode-se contratar profissionais especializados ou empresas de administração de condomínios para tal serviço.

Fazer um planejamento financeiro de forma detalhada é importante também para se precaver dos gastos surpresas e da inadimplência.

“É comum, quando há um aumento na taxa condominial, o aumento da inadimplência”, explica o advogado Thiago Pacheco, especialista em direito imobiliário. “Por isso ele deve já prever uma sobra do orçamento para suprir (essa demanda)”, diz Pacheco.

A parte financeira, atenta o advogado, deve ser bem clara, disposta em lançamentos contábeis explicados e arrumados por tipos de despesa e de receita. “Categorizar e estabelecer um limite para cada tipo de despesa, ainda permite aos moradores questionar e cobrar do síndico”, afirma.

Precaver-se incluindo no orçamento uma verba destinada à manutenção é outra forma de evitar maiores problemas ao longo do ano.

Reduzir despesas

Para diminuir o valor da conta de água, um dos campeões de custos no orçamento dos condomínios, é indicado que se façam verificações periódicas nas unidades para sanar vazamentos.

Neste quesito, cabe ao síndico ser atuante e proativo. “É de suma importância que o síndico esteja sempre em contato com seus condôminos e distribua avisos no elevador ou circulares alertando sobre a necessidade da economia de água”, diz Fernandes.

A interação entre os moradores e administração condominial é ainda mais importante em negociações no caso de inadimplência, uma dívida que se tornou mais perigosa.

“A inadimplência deve ser logo cobrada pelo síndico, mas de forma amigável”, reforça Fernandes. Com o Novo Código de Processo Civil, que entrou em vigor em março de 2016, a execução dessa cobrança ficou mais rápida, incentivando a procura por acordos extrajudiciais.

Mais um motivo para a participação dos condôminos neste primeiro trimestre, quando são realizadas as assembleias para aprovação das contas do ano anterior e aprovação do orçamento para o próximo período. “É importante que participem e estejam atentos, porque uma vez aprovadas as contas na assembleia, elas não podem ser alteradas judicialmente”, afirma Pacheco.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Últimas